quinta-feira, 31 de julho de 2008

30 de Março de 1970 em Lourenço Marques

Nessa manhã,depois da volta de serviços ( final de serviços ) alguns elementos da guarnição encontravam-se no cais,vendo o movimento das pessoas que embarcavam para o Catembe.
Para ensombrar aquele dia,inesperadamente,uma explosão,numa das caldeiras, abalou o navio,uma enorme chama saiu pela chaminé,enquanto as pessoas fugiam pelo cais,nós corríamos para bordo,os que estavam no interior do navio,corriam para o convés.
O Oficial e o Sargento de serviço,contiveram o pessoal,até se saber o que se passava.
Não foi necessário a intervenção do pessoal da Limitação de Avarias,porque o pessoal fogueiro,controlou a situação e os danos materiais.
Inesperadamente surguiram no convés os danos humanos,três camaradas nossos ,Sargento Amâncio,Marinheiro Durand,e Marinheiro Fernando Costa,com graves queimaduras pelo corpo.
Não conseguimos conter a bordo o Fernando Costa,correu pelo cais,a caminho da baixa da cidade,pedindo socorro.
Pelo caminho foi deixando cair pedaços de pele.
Chegaram os Bombeiros de Lourenço Marques,chamados por alguém que estava no cais,não foi preciso a sua intervenção,apenas pretendíamos o transporte dos nossos camaradas para o hospital,urgentemente.
Nessa tarde,fomos ao hospital saber o estado de saúde deles.
Não foi autorizado que os víssemos,voltamos todos para bordo.
Na manhã seguinte,01 de Abril de 1970,pelo ETO,o segundo Oficial de máquinas,e chefe directo do pessoal fogueiro,com a voz embargada pela comoção,comunicou-nos o falecimento do Fernando Costa,no silêncio que se seguiu,vi lágrimas correrem pelo rosto de alguns velhos marinheiros.
Em pouco mais de três meses,era o segundo elemento da guarnição do NRP ÁLVARES CABRAL F336,a falecer vitima de acidente.
Um na Beira,outro em Lourenço Marques
A família do Fernando Costa,requereu a expensas suas,a transladação do corpo para Portugal.
Após a libertação do corpo pelo hospital,foi efectuado o seu transporte para a capela do cemitério,o silêncio dos que o acompanharam,apenas foi quebrado pelas ordens, para as salvas de tiros,e para as honras militares a que tinha direito.
Dos camaradas,Sargento Amâncio e Marinheiro Durand,soubemos que iam ser evacuados para o Hospital da Marinha em Lisboa.
O Sargento Amâncio,sabemos que faleceu á poucos anos.
Do marinheiro Durand,continuamos sem qualquer informação.

Catedral e estátua de
Mouzinho de Albuquerque,
em Lourenço Marques

Igreja de Santo António
na Polama,
Lourenço Marques

terça-feira, 29 de julho de 2008

De Volta a Lourenço Marques

Tudo têm um começo e um fim,e acabou a boa vida em Durban.
De novo voltamos ao Oceano,como deixamos a ferrugem em Durban,e as munições em Lourenço Marques,portanto com o navio mais leve,o velho Oceano presenteou-nos com mau tempo,o navio parecia uma bailarina,dançava de bordo para bordo,o que ocasionava a que dormíssemos mal.
Chegados a Lourenço Marques, voltamos á faina para colocar nos paióis, as munições que tínhamos deixado em terra.
Como já tinha comentado antes,trabalho árduo e cansativo,mas que era mesmo necessário fazer.
Depois lá voltámos para as belas noites de Lourenço Marques.
Por Lourenço Marques iríamos ficar uns dias,que foram de alegre diversão.
Mas uns dias depois tudo esmoreceu,aconteceu um trágico acidente a bordo,que ficou para sempre nas nossas memórias.

Quando o motor pifa,
ou acaba a gasolina.
Motor manual a três tempos.
Garcia - Carlos - Tendeca

Carlos e Moleiro
em
Lourenço Marques

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Os dias em Durban

Após a entrada na doca flutuante,passamos a ficar bem longe do centro da cidade.
Foi então colocado no quadro de informação á guarnição,a indicação dos autocarros que serviam a zona,e que nos poderiam levar e trazer do centro da cidade.
Durban,foi uma cidade maravilhosa,na primeira ida á África do Sul,todos ficámos em branco,em Durban foi diferente,tivemos quase um Arco-Íris,até nos dávamos ao luxo de escolher.
Uma organização de apoio aos militares portugueses (formada por ex militares Sul Africanos,Mercenários,e gente duvidosa com ideologias,que na época eram autorizadas) pretendia fazer uma festa de recolha de fundos,para a compra de material militar,para oferecer ás forças armadas portuguesas,pediu a nossa colaboração.
Pelo comando,ou pelas chefias directas,foi escolhido o pessoal para a dita colaboração.
Adivinhem quem mandaram.
Lógico que mandaram o trio barreirense,e mais dois bem comportadinhos,para enfeitar o ramalhete.
Ficámos apreensivos com a escolha,mas acabámos por reconhecer que foi uma óptima escolha,afinal o comando e os nossos chefes tinham consideração por nós.
Fomos dispensados de todos os serviços,pela manhã a comissão recolhiam-nos,íamos ajudar a montar os postes para os cabos eléctricos,pela hora de almoço vínhamos a bordo tomar banho e fardar,e levavam-nos a almoçar a bons restaurantes,e depois um pequeno passeio,o restante da tarde ficava livre.
Pela hora de jantar,éramos novamente recolhidos,desta vez por um casal,ele português,ela sul africana,que faziam parte da comissão e íamos jantar ao clube alemão.
Nada mal para que pensava que estava a ser castigado.
Após o jantar,novamente livres até ao dia seguinte,seguíamos então para os clubes nocturnos da cidade,e essas visitas deram fruto,nos carros delas,atrás dos clubes,e alguns mais afortunados, até tiveram direito a dormir,ou quase dormir em cama alheia,e alguns serem novamente visitados já em Moçambique com direito a dormir em Hotel.
Em Durban,sentimo-nos recompensados pelos longos meses que já levávamos de comissão.

Recorte de jornal
Sul Africano.
(Esta imagem já foi postada
no blogue,mas para ilustrar
este post,mudou de posição,
sendo a anterior apagada)

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Comandantes do NRP ÁLVARES CABRAL F336

Transcrito do livro
"Setenta e Cinco Anos no Mar" do CMG - José Agostinho de Sousa Mendes -
6.º volume - 1991 - Comissão Cultural da Marinha

11 de Março de 1959 - 04 de Abril de 1960
CFR - Fernando Eduardo Pinto de Omelas e Vasconcelos

04 de Abril de 1960 - 05 de Abril de 1962
CFR - José Neves Sales Grade

05 de Abril de 1962 - 13 de Setembro de 1962
CFR - Artur Rodrigues Gonçalves

13 de Setembro de 1962 - 16 de Março de 1965
CFR - Alberto Magro Lopes

16 de Março de 1965 - 02 de Março de 1967
CFR - Tomás de Melo Breyner

02 de Março de 1967 - 20 de Dezembro de 1968
CFR - António Bernardino Monteiro

20 de Dezembro de 1968 - 30 de Junho de 1971
CFR - João Batista Coelho Soares Parente




Notas do Moleiro

Capitão de Fragata - João Batista Coelho Soares Parente,
promovido ao posto imediato, Capitão de Mar e Guerra, em 1970,
continuou (não houve substituição de comando ) a comandar o
NRP ÁLVARES CABRAL F336,passando a ser o comandante mais antigo,
de todos os comandantes de navios de guerra em comissão em Moçambique.
Pela primeira e última vez, o NRP ÁLVARES CABRAL F336
foi comandado por um Capitão de Mar e Guerra.

Durban - África do Sul

Chegamos a Durban,depois de ter-mos apanhado mau tempo,e o mar nos ter dado bastante porrada.
Atracádos ao cais comercial. Eis que um grumete fogueiro,depois de ter feito a limpeza ao gerador diesel,pensando que estava num porto português,lança borda fora um balde de água com residios de gasóleo.
Pareceu-nos que adivinhando a situação,logo se aproximou uma embarcação da Policia Marítima,ou Policia do Porto,e pedem para falar com o comando.
Não foram autorizados a atracar ao navio,tiveram que acostar ao cais a ré do navio.
Segundo se constou depois,após terem falado com o Oficial de Serviço,o navio, na pessoa do tesoureiro de bordo ( hoje,Almirante Silva e Pinho) abriu os cordões á bolsa,e desembolsou logo uma grande quantidade de Rands ( moeda local ) para pagamento da multa e da limpeza dos residios,que teimosamente,não se afastavam do navio,se calhar até para fazer a prova que tinham vindo de bordo.
Ficámos logo a saber,que contrariamente ao que fazíamos nos portos portugueses,ali os lixos e residios teriam que ser depositados no cais em recipientes próprios.

Praia na cidade de Durban,
África do Sul

Vista aérea da Cidade de Durban,
África do Sul


Durban,

África do Sul

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Lourenço Marques (Descarregar Munições)

Uma bela manhã,tocou á faina,íamos deixar a Beira e navegar para Lourenço Marques.
Não,não íamos de férias,íamos sim descarregar todas as munições dos paióis do navio,para paióis em terra,e depois rumaríamos á cidade de Durban na África do Sul,para reparações,limpeza e pintura do fundo do navio,em Doca Flutuante.
Era,e foi um trabalho árduo,e que já tínhamos feito uma vez em Lisboa.
Podemos chamar a esse trabalho,trabalho de estiva.
Os cunhetes das peças de 101mm (caixa metálica com apenas duas munições) sem exagero pesariam entre 50 a 60 kg,os cunhetes das antiaéreas com 16 munições,deveriam pesar talvez metade digamos 30 kg,e todo esse trabalho,retirá-las dos paióis,subir escadas,atravessar o convés e colocá-las nas camionetes,era á força braçal,depois era necessário ir descarregá-las no paiol em terra.
Trabalho árduo e muito cansativo,e que demorava cerca de 2 dias.
Só após esse trabalho,poderíamos considerar que estávamos, descansando uns dias.
Mesmo extremamente cansados,tivemos tempo de rever as nossas namoradas,mas a coisa continuava preta ,nada de chegar de vias a factos ( nunca chegou ) andávamos então no apalpão e no beijinho, indo lavar a vista por outras paragens.
Na véspera de sairmos para Durban,a mesma recomendação do comando.
Cuidados a ter com a lei sul africana,nada de envolvimentos sexuais,com mulheres consideradas não brancas,cujo castigo, se apanhados se resumia só a 6 meses de prisão e umas quantas chicotadas no lombo.
Portanto nos envolvimentos sexuais,com mulheres não consideradas brancas,dáva-nos a perceber,e para não haver problemas que só se poderiam efectuar na pensão/hotel -NRP ÁLVARES CABRAL F336,porque aí era território português,e não abrangido pela lei sul africana.

Vista da Cidade de Lourenço Marques,com o Cais do Gorjão ao fundo,onde está atracada uma fragata da Classe Álvares Cabral,que dependendo do ano em que a foto foi tirada,poderá eventualmente ser a nossa fragata.

Estação dos Caminhos
de Ferro de Moçambique,
em Lourenço Marques

terça-feira, 22 de julho de 2008

1969 - NRP ÁLVARES CABRAL F336 - Comissão em Angola e Visita á África do Sul

Excerto do livro "Setenta e Cinco Anos no Mar"- 1910 - 1985, do CMG - José Agostinho de Sousa Mendes - 6.º volume - Comissão Cultural da Marinha.

28 de Abril - Largou da Base Naval de Lisboa,com destino a Angola,tendo feito escala em Porto Grande - S.Vicente - Cabo Verde,onde permaneceu em 4 e 5 de Maio.

14 de Maio - Chegou a Angola,dando inicio á comissão na província de Angola

18 de Maio a 2 de Novembro - Largou para o mar 60 vezes,tendo entrado no Lobito,Benguela,Baía dos Elefantes,Novo Redondo,Porto Amboim,Luanda,Moçâmedes,Baía dos Tigres,Porto Alexandre,Cabinda,Santo António do Zaire,Baía de Santa Marta,entrou em alguns destes portos várias vezes.

8 a 14 de Julho - na companhia do Patrulha NRP S.TOMÉ,visitou a cidade de Ana de Chaves,na Ilha de S.Tomé.

Teve por missão enquanto permaneceu em Angola

Patrulhas ao sul da província -transporte de Fuzileiros,de Luanda para o Lobito,transporte de Fuzileiros para Luanda,apoio ao NRP DRAGÃO,em trânsito par Cabo Verde,transporte do Comandante Naval de Angola,em visita a S.Tomé e Cabinda.

Patrulhas ao norte da província - Transporte de militares da R.M.A,de Luanda/Cabinda/Luanda,e Luanda/Santo António do Zaire/Luanda.
Lançamento ao mar de munições incapazes.
Escoltas de entrada e saída do T/T Vera Cruz.
Reboque e afundamento do navio em cimento "Esmeralda"
Prestação de honras militares,a uma força naval Sul Africana.
Participação na cerimónia de inauguração de um padrão comemorativo em St. Helena Bay.
Houve passeios a Massangano,Cambabe,e encontros desportivos entre militares das duas nacionalidades.

2 de Novembro - Larga de Moçâmedes,para a África do Sul,tendo estado em St.Helena Bay,entre 7 e 9 de Novembro,e em Simonstown entre 9 e 10 de Novembro

10 de Novembro,foi atribuída ao Comando Marítimo de Moçambique.



Notas do Moleiro

Quanto ás 60 saídas para o mar,considero-as excessivas, de Maio ao final de Outubro serão 170 dias,que divididas por 60 saídas daria uma média de 2,8 dias por missão,no caso de transporte de ida e volta com militares seriam três dias,depois temos as patrulhas a norte e a sul,patrulhas ao porto de Luanda,a viagem a S.Tomé,os dias de descanso em Luanda e noutros portos,portanto eu, considero, que o numero de vezes saído para o mar é inferior ao descrito

26 de Setembro - Alarme de fogo no paiol de munições de ré.

Não tenho dúvidas que largamos em 2 de Novembro de Luanda,com passagem por Moçâmedes.

Passeios na África do Sul,não recordo nenhum,encontros de futebol sim.

Chegamos a Simonstown,onde permanecemos alguns dias,de seguida o navio largou para Saldanha Bay,onde se manteve apenas um dia,para desembarcar a Unidade de Desembarque,que dormiu nas instalações navais da Marinha Sul Africana,e de onde fomos transportados em autocarro para St. Helena Bay.

O navio também largou nesse dia de Saldanha Bay,fundeou durante a noite,em St. Helena Bay, após a inauguração do monumento,recolheu a Unidade de Desembarque,e iniciou imediatamente a navegação com rumo a Lourenço Marques.

Marinheiros Artilheiros,
Letras e Manta

segunda-feira, 21 de julho de 2008

NRP ÁLVARES CABRAL F336 - 1969

Recuei no tempo,e vou postar um excerto do livro
"Setenta e Cinco Anos no Mar"- 1910-1985
do CMG - José Agostinho de Sousa Mendes - 6.º volume -Comissão Cultural da Marinha

1969

12 de Fevereiro,o navio deu entrada no Arsenal do Alfeite,para fabricos em curso (reparações )

13 a 28 de Março,realizaram-se as experiências com o navio atracado.

31 de Março e 1 de Abril -o navio fez provas de mar,ao largo da baía de Sesimbra,seguido-se um período de 18 dias de afinações,ajustamentos e correcções.

21 a 24 Abril,o navio fez base em Setúbal,efectuou no mar o PTB (Plano Treino Básico )reduzido
na parte final deste exercício,deveria realizar um exercício de reboque,mas por erro de manobra,o navio abalroou o Patrulha NRP BOAVISTA,com o bico do painel de popa,ocasionando ao Patrulha, um corte profundo no costado a Estibordo.

25 a 27 de Abril,o navio aprontou-se para uma longa comissão de serviço no Ultramar.

Notas do Moleiro
Lembro-me de todos estes exercícios e aprontamentos do navio,pois fui destacado para o mesmo em 1 de Fevereiro de 1969,vindo do Centro de Comunicações da Armada,no Ministério da Marinha,lembro-me de quando navegávamos com destino a Setúbal,termos passado por cima de uma boía de sinalização de canal,quase frente á antiga Lisnave no rio Tejo,não me lembro e já fiz alguns contactos, de termos abalroado o Patrulha NRP BOAVISTA,durante exercícios.
CMG - (2.º Tenente) Possidónio Roberto,e Moleiro,na Ponte Cais de Porto Amélia

Seis ( 6 ) Meses do Blogue do NRP ÁLVARES CABRAL F336

Passaram os primeiros seis ( 6 ) meses,desde a criação do blogue,embora quase sem participação de outros meus camaradas de comissão,consegui mantê-lo,fui procurando,informação e recordações junto de outros camaradas.
Foi com grande prazer que me dispensaram,algumas das suas memórias.
Calculo,e decerto o blogue não fará um ano de vida,os factos que disponho sobre a nossa comissão estão quase a finalizar.
Já disponibilizei o blogue a outros camaradas,para a sua continuidade,oferecendo-me eu para colaborar,até hoje ainda não recebi qualquer resposta.
Congratulo-me com as visitas no primeiro semestre,mais de dezoito mil (18.000),temos muitas visitas de leitores em Portugal,temos muitas visitas de outros países,onde julgo que os leitores serão imigrantes Portugueses,ávidos por saber como era a vida dos militares em comissão em África,durante o período da guerra colonial,outros,pelo país,onde acedem ao blogue,serão meros interessados em ver fotos de África.
Tenho por principio,publicar todos os comentários que me chegarem,receberei todas as opiniões.
Durante este período,foi recebido apenas cinco ( 5 ) comentários,todos de leitores estranhos á comissão,quatro ( 4 )comentários foram aceites e figuram no blogue,apenas um (1) não aceitei,era um comentário racista,vexatório e desprestigiante para mim,para com os meus camaradas de comissão,e para com os ex militares combatentes,a essa gente, peço o favor de não abrirem,nem lerem o blogue do NRP ÁLVARES CABRAL F336.

domingo, 20 de julho de 2008

Comissão (2)

Um assunto já aqui referido,é a falta de alguns meses na contagem do tempo de comissão.
A comunicação social,na altura da nossa chegada de África,já nos descontava sem sabermos o porquê,alguns meses de comissão.
No livro "Setenta e Cinco anos de Mar -1910/1985" também só faz referência a seis (6)meses em Angola,e catorze meses(14) em Moçambique,no total será vinte(20) meses de comissão.
Quem nos poderá informar onde andámos os outros quase cinco (5) meses.
Será um erro do Arquivo Geral da Marinha.
Se fosse omitido um dia,sereia um pequeno erro,mas omitem cerca de 150 dias,e pelo que me parece,ninguém sabe onde estivemos todo aquele tempo,será que desertamos,ou desviamos o navio,para uma qualquer Ilha em Moçambique,onde gozámos umas merecidas férias.
Se considerarem que estivemos em férias,aceito,embora não seja verdade.
O meu receio é que o actual Ministro da Defesa,nos leve a tribunal,para clarificarmos o porquê de tamanha ausência,e nos peça uma indemenização, por vencimentos a que não tínhamos direito,pelo não cumprimento de ordens de manter o navio em Moçambique.


Carlos e Moleiro,

em Lourenço Marques

Noticias de outros Blogues

Para quem pensa,que na Internet,os blogues de ex.militares,ou militares na reserva ou reforma,só se debruçam sobre a guerra colonial,está enganado.
Também existe blogues,onde se fala de guerra,paz,viagens,actualidade e saudade,onde existe um elo de camaradagem,que não foi esquecido ao longo dos anos.
Vêm este post, a propósito do blogue de um curso de Oficiais da Escola Naval,curso Miguel Corte Real de 1963,curso que deu 4 Oficiais á nossa comissão.
Vice-Almirante -Rebelo Duarte
Contra-Almirante -Silva e Pinho
Capitão Mar e Guerra-Possidónio Roberto
( ?????) -Rebelo Marques
No respectivo blogue,já se encontrava embarcado o Contra-Almirante - Silva e Pinho
Acabou de se apresentar nesta unidade naval (não oficial) o ex.Chefe de Serviço de Artilharia,ao tempo 2.º Tenente, Rebelo Marques,do NRP ÁLVARES CABRAL F336 (com direito a foto em lugar destacável)
Para aceder ao blogue,poderá ir á lista de link,e clicar em Curso Miguel Corte Real,ou
http://cursocr.blogspot.com/

Em relação ao nosso blogue,continuo a ver a lista de embarcados,limpa,não têm havido destacamentos para o mesmo.
Já não peço a disponibilidade de alguns,mas no mínimo peço,que enviem as fotos da comissão,descrevam as histórias e casos passados a bordo.
O nosso blogue está prestes a terminar,e vai deixar pendentes algumas das histórias e casos que vivemos por terras Africanas.

Os Oficiais,do
NRP ÁLVARES CABRAL F336,
na comissão em 1969-1971

sábado, 19 de julho de 2008

Museu da Marinha

Hoje o dia para mim tinha três objectivos,e todos conseguidos.
Visitar o Museu da Marinha,onde á muitos anos não entrava.
Ver com os meus olhos,o modelo em exposição do NRP ÁLVARES CABRAL F336.
Comprar o livro "Setenta e cinco anos no mar (1910-1985) da autoria do
CMG - José Agostinho de Sousa Mendes.
Mesmo com as dificuldades de locomoção que padeço, meti-me ao caminho.
No Museu encontrei exposto peças que já tinha visto,mas muitas só hoje as conheci,principalmente alguns modelos, de navios muito antigos.
Mas conheci hoje o que só conhecia por foto,o modelo do navio,onde prestei serviço durante quase 30 meses, e onde passei,bons maus e óptimos momentos.
Era como se o tivesse a ver fundeado num porto,é uma verdadeira cópia do original,ainda que diminuta,relembrou-me de muita coisa, e reconheci que também se vive com recordações.
Parabéns Rui de Matos,pela construção do modelo do NRP ÁLVARES CABRAL F336.
Por último fui comprar o livro,que por sinal era o último que existia para venda ao público.
Já em casa dei apenas uma vista de olhos pelo mesmo,o livro relembrou-me o que á muito esquecera,as duas vidas salvas,porque chegamos a tempo,a evacuação do Ibo,e em Palma,um militar pisara uma mina,e não havia evacuação para o mesmo, a tempo de lhe salvar a vida,a este e outros assuntos voltarei mais tarde.
Constatei que o livro têm algumas pequenas incorrecções sobre o tempo da nossa comissão,uma das incorrecções situa-nos na Guiné,onde nunca estivemos.


Modelo do

NRP ÁLVARES CABRAL F336,

do modelista Rui de Matos

Modelo do
NRP ÁLVARES CABRAL F336,
em exposição no Museu da Marinha.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Comissão

Quem julga, que a nossa vida militar a bordo de um navio de guerra,era puro turismo engana-se. Tínhamos os trabalhos de manutenção dos equipamentos,manutenção do navio, limpezas,pinturas ajudar na cozinha, a navegar os serviços de quarto,máquinas,leme,vigias etc.
Atracados ou fundeados,os mesmos trabalhos,não tínhamos o serviço de navegação,passávamos a ter o serviço de vigilância e segurança do navio.
Atracados,ajudávamos a meter aguada (água doce) abastecimento de viveres e material para a cantina,e a baldeação do navio com água doce.
As condições de habitabilidade no navio eram mínimas,sem ar condicionado,no interior do navio,atingia-se elevadas temperaturas.
Não tínhamos televisão,nem rádio (havia alguns pela guarnição,e raramente se conseguia ouvir música)
Não tínhamos Internet fixa,nem móvel, não tínhamos telemóvel,para falar com os familiares ou enviar sms.
Gratuito a bordo só tínhamos a água.Havia uma excepcão para os grumetes, que tinham alimentação e medicação gratuita,todos os outros a partir de marinheiro inclusive,descontavam parte do seu vencimento para a alimentação,se solteiros descontavam mais,se casados descontavam menos,e pagavam uma parte da medicação comprada na farmácia militar,a bordo gratuita.
A roupa lavada na lavandaria de bordo,ser ser passada a ferro,ficava-nos mais caro que enviar a uma lavadeira em terra.
A sapataria de bordo,cobrava mais caro pelo arranjo dos sapatos,que o sapateiro em terra.
Só nos servíamos da barbearia de bordo,porque tínhamos que sair com o cabelo cortado,tipo corte militar,e mesmo pagando caro,não perdíamos tempo num barbeiro em terra.
O correio,quando a navegar,amontoava-se no Serviço Postal Militar,e quando o recebíamos era aos montes e as primeiras cartas já estavam desactualizadas.
Para enviar uma carta pagávamos um selo igual aos restantes portugueses,os Aerogramas eram grátis,mas demoravam semanas a chegar ás nossas famílias.
Tínhamos uma viatura distribuída ao navio (não sei,ou sei para quem) se tínhamos que nos deslocar ao Hospital (no meu caso ) na Beira,para uma consulta,recebi a guia de marcha e palmilhei ao sol mais de 2 Km até chegar ao centro da Beira para apanhar um autocarro(machibombo)e paguei o transporte do meu bolso,no regresso aventura idêntica ,em Luanda para levantar um medicamento que não existia a bordo,tive de me deslocar á farmácia do Hospital Militar,doente,tive de fazer o percurso de autocarro ida e volta,pago do meu bolso,e o navio tinha uma viatura distribuída.
Para ir-mos para África foi preciso requisitar mais fardamento branco,fomos logo presenteados com um desconto mensal no vencimento,a mim calhou-me 60$00 Escudos mês,até ao final da comissão.
Só nos faltou mesmo foi pagar o combustivél do navio para poder-mos ir a África a banhos e voltar.
Como se sentiriam os marinheiros de hoje,se fossem tratados da mesma forma que nós fomos pelo governo,que nos enviou para África.
Decerto as suas associações,fariam manifestações,chamariam a comunicação social,TVI,ou o 24 Horas, e opunham-se á saída do navio.
Mas depois destas contrariedades,ressalvamos que nos sentimos honrados e orgulhosos,por termos cumprido a missão que nos incumbiram.
Chegamos numa manhã a Lisboa,quase despercebidos,nem um obrigado recebemos,demos dois anos da nossa vida por uma causa justa ou injusta,que a história nos dirá depois.
Com o nosso destacamento para outras unidades,partiu-se o elo de camaradagem que existia,mas graças ao Vitor, e ao CMG Possidónio Roberto,que conseguiram com muito trabalho e dedicação reunir um pequeno numero de ex elementos do navio,anualmente vamos-nos encontrando,e em alguns casos vamos conversando e encontrando -nos,com alguma regularidade,tentando encontrar outros amigos que nunca vieram ao nosso encontro anual.


Elementos da guarnição do

NRP ÁLVARES CABRAL F336

em alegre convívio,

algures em África.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Falta de Gravidade ou Empurrão

Fizeram-nos fazer crer,durante o nosso tempo militar,que aos Oficiais na Escola Naval,lhes era incutido o militarismo e a desumanidade com os militares de baixo posto,principalmente os praças.
Tenho uma opinião contrária,encontrei ao longo da minha vida militar,Oficiais bem humanos,mas militares quando a situação o exigia.
Hoje vou contar uma situação a bordo a que nós na altura achamos graça,porque não esperávamos,que um Oficial tão aprumado,caísse na mesma tentação em que nós caímos tanta vez,não saber qual deveria ser o último copo.
Por baixo dos galões,estava um humano,igual a nós.
Uma madrugada no porto da Beira,chegou um táxi á prancha do navio,dele se apeou um Oficial de bordo,respondeu ao cumprimento do sentinela,e mete um pé á prancha.
Mas,á sempre um mas,a maré estava baixa,a prancha estava no sentido descendente para o navio,e com grande inclinação.
E no final da prancha no convés estava o Cabo de quarto,para apresentar os cumprimentos da praxe ao respectivo Oficial.
O Oficial,mete o segundo pé á prancha,resultado, como não estava guarnecido com asas,estatelou-se no convés dando uma aparatosa queda.
Levantou-se ágilmente,sacudiu o pó (não precisa de o fazer,pois o navio estava sempre limpo)
Exigiu imediatamente ao Cabo de quarto,a presença do Oficial de serviço,acusando o sentinela de o ter empurrado para bordo.
Difícil,foi-lhe fazer crer que essa situação não tinha existido.
O Cabo de quarto foi-lhe dizendo que devido ao adiantado da hora,o Oficial de serviço estava a descansar,e que não via necessidade de o incomodar,e que após a alvorada o respectivo Oficial,poderia seguir os trâmites de uma,ou não participação do caso
O Oficial,reconheceu que não era a hora apropriada,despediu-se do pessoal de serviço e foi-se deitar,a noite foi boa conselheira.
E pela manhã nada aconteceu,deixando o sentinela descansado,e o respectivo Oficial apareceu como nada se tivesse passado.
Só que nas cobertas,comentava-se o caso,em titulo de brincadeira,e alguém propôs,que o nosso comando,sempre que maré estivesse baixa,deveria exigir á Força Aérea,que disponibiliza-se um héli,para colocar a bordo o pessoal que regressava de licença,em verdadeiras condições de segurança,e integridade física

Moulin-Rouge
visto da ponte do rio
Chiveve

Moulin-Rouge


Moulin-Rouge

Actual

quarta-feira, 16 de julho de 2008

O "Montijo"

Quem não se lembra do Marinheiro Artilheiro "Montijo",recordado e tanta vez falado nos nossos almoços anuais,onde surge sempre a interrogação,o que será feito dele,será vivo,nunca mais ninguém soube nada dele.
O "Montijo" na Beira,para fazer face ás suas despesas,arranjou nas horas de licença, um emprego em par-time,no Moulin-Rouge.
Portanto Marinheiro (Militar ) e trabalhador por conta de outrem.
Dizia-se que além da remuneração,recebia também um pagamento extra, pago com o corpinho escultural de algumas bailarinas.
Certo é que víamos o "Montijo" com brutas mulheres,e por causa disso o "Montijo" começou a faltar aos embarques,sempre que saímos para o mar,era necessário averiguar se o "Montijo" estava a bordo.
Uma das vezes o "Montijo" estava ausente, e já em faina para nova saída,vimos o "Montijo" escondido pelos guindastes (gruas) ninguém o denunciou,saímos então para o mar ficando o "Montijo" em terra a gozar dos prazeres terrenos.
No nosso regresso o "Montijo" apresentou-se a bordo,pronto para novo castigo.
Em sua defesa e como atenuante,alegou,que se sentia muito cansado,era o trabalho a bordo,era o trabalho no Moulin-Rouge,eram as bailarinas que não o deixavam em paz,portanto vinha para bordo cumprir o castigo e descansar.
Bem nos oferecemos para o ajudar no seu trabalho excessivo com as bailarinas,mas recusou qualquer ajuda,foi uma ingratidão que cometeu com os amigos,quando os amigos o pretendiam ajudar.
Lógico que tantas fez,mas sempre reincidente,que acabou por ser escoltado pelo Sargento Carpinteiro, a Lourenço Marques para cumprir uma pesada pena de prisão na "Xefina" (Presidio Militar em Lourenço Marques)
No final da comissão perdemos-lhe o rasto,já tentamos saber dele e nada,corre as versões,que se ausentou para o estrangeiro e por lá ficou,outras das versões é que o "Montijo" já faleceu,poderão ser versões incorrectas,e um dia poderemos ter o velho "Montijo" num dos nossos almoços anuais.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Exposição de Modelos no Museu da Marinha

De Rui de Matos,recebi a informação, que
os modelos de navios de guerra estão,
expostos no Museu da Marinha.
Rui de Matos,Modelista,foi o construtor
do modelo do NRP ÁLVARES CABRAL F336
por suas mãos,fez renascer,embora em
modelo,a nossa velha fragata,desmantelada
em 1973.


Rui de Matos - Modelista



Fragata ou Colóna Penal

No retorno á cidade da Beira,começou-se a sentir um aumento da repressão sobre alguns elementos da guarnição,por parte de alguns Cabos e alguns Sargentos.
Por tudo e quase nada,era vê-los correr para o camarote do Oficial Imediato,desfiando um rol de queixinhas.
Intitulavam-se os Cabos,Almirantes dos Grumetes (Aspiração tinham,mas muito difícil de concretizar)
Se havia alguém a bordo que nada fazia,eram eles.
Por um não cumprimento imediato de uma ordem dos mesmos (mesmo executada depois ) lá vinha o respectivo castigo.
O Sr. Oficial Imediato,chegou-nos a dizer,que embora não visse razão para castigar,teria de o fazer para para não desautorizar os Cabos e os Sargentos.
Então que justiça tínhamos!
Começa então a haver uma feroz competição,para saber-mos quem chegava ao final da comissão com mais castigos.
E quando nada fazíamos,aparecia sempre um Cabo ou Sargento que nos provocava,de forma a cairmos novamente em tentações menos correctas,e lá voltávamos, á porta do camarote do Oficial Imediato.
Por vezes em actos quase idênticos,havia para uns três guardas,para outros uma,era conforme a cara,o posto,e os castigos anteriores.
O Código de Justiça Militar e o Regulamento Disciplina Militar,umas vezes era interpretado da frente para trás,outras de trás para a frente.
E o grupo foi aumentando,já contávamos com o Vítor,o Montijo,o Moleiro,o Carlos,o Garcia,o Pedro,o Paulino,e alguns de quem não me recordo.
Por causa de uma situação dessas,um Sargento esteve próximo de ser baleado,felizmente para o Grumete e para o Sargento,dois Marinheiros e dois Grumetes conseguiram conter a situação.
Lógico que o Sargento nem apresentou queixa.
Só seis elementos sabiam desta situação decorrida a bordo,e só quase quarenta anos passados vêm a publico.


Rio Chiveve (xiveve) na

Cidade da Beira


A velha ponte por onde
tanta vez passamos,
já destruida,e com uma
ponte nova a seu lado


Outro aspecto da Ponte e do Rio


Ponte Metálica,e Rio Chiveve

(xiveve) com a Cidade da Beira

nas suas margens.

domingo, 13 de julho de 2008

O Héli Inglês

Estava uma noite bem escura, navegávamos em patrulha no Canal de Moçambique,na ponte de comando o pessoal de serviço,vigiava os navios que navegavam por perto.
Eis que repentinamente,e sem ninguém detectar,o navio é iluminado por um potente holofote de um héli inglês,que nos sobrevoou vindo de ré em ocultação de luz.
O héli Inglês,deve-nos ter confundido com um navio mercante.
Perante o insólito da situação,dizia-se, que o Oficial de Quarto á ponte,emanando ordem do Comandante,comunicou á fragata inglesa,o protesto sobre a situação ocorrida,bem como avisando que da próxima vez o héli seria abatido.
Foi a primeira e última vez que ocorreu uma situação destas, que nos apanhou de surpresa e totalmente desprevenidos.
Algumas vezes fomos sobrevoados pelos nossos Fiat,s da Força Aérea,quase sempre de dia,mas eram detectados antecipadamente,faziam a primeira passagem perto da fragata a uma velocidade incrivél,e na segunda passagem,oscilavam de forma a levantar a asa, baixando-a de seguida,dizia-se que era o cumprimento da Força Aérea á Marinha.
Helicóptero do HMS DANAE F47
que bloqueou o Porto da Beira em 1969



Oceano Indico

sábado, 12 de julho de 2008

Ferido Inglês

De volta á patrulha ao Canal de Moçambique,e acompanhar de perto a movimentação das fragatas inglesas.
Em data não especifica,fomos ao encontro de uma fragata inglesa,e para nosso espanto ficamos a pairar algum tempo ao lado da mesma.
De tão perto que estávamos quase dava para conversar com os ingleses,caso nós os compreendesse-mos,mas os rapazinhos cumprimentavam-nos,e nós em resposta íamos mimosiando-os com algumas palavras que nem posso descrever.
Mas algo se passava,havia comunicações entre as duas fragatas,soubemos,que um dos marinheiros ingleses sofrera um acidente e que se encontrava em estado muito grave,e que necessitava de cuidados hospitalares urgentemente.
Os ingleses pretendiam transportar o ferido no seu Héli para a Beira, o nosso Comandante não autorizou,era violar o espaço aéreo,só com ordens superiores,mas nestas coisas os homens do mar,esquecem os rancores e as inimizades,era preciso salvar uma vida,e essa situação era prioritária,foi então comunicado á FAP,para enviar um Héli á fragata inglesa resgatar o ferido,e transportá-lo para a Beira.
Não chegámos a ver o desfecho da situação,porque continuamos a patrulha e afastamo-nos da fragata inglesa.
A versão desta história nunca foi contestada a bordo.
Só os nossos ex Oficiais conhecem os factos do que efectivamente se passou,e se o marinheiro inglês sobreviveu.
Fragatas Inglesas que efectuavam o bloqueio
ao Porto da Beira,no nosso tempo de comisão
em Moçambique.

HMS ARGONAUT F56

HMS NAIAD F39

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Visita ao Parque Nacional da Gorongosa

No regresso á Beira,após algum tempo no norte,fomos presenteados ( não sei por quem ) com uma visita ao Parque Nacional da Gorongosa.
Pela manhã,acompanhados de farnel,partiu em autocarro,o grupo excursionista do
NRP ÁLVARES CABRAL F336, só voltando pela calada da noite,cansados e esfomeados que nem Leões.

Marinheiros Artilheiros
Mendonça - Alfredo - Jordão


Marinheiros Artilheiros

Alfredo e Jordão

1.º Tenente Médico Naval - Jervis Ponce
1.º Tenente - João Santos Bico
S/Tenente - Elisio Rocha
2.º Tenente - Rebelo Duarte


Grupo Excursionista

do

NRP ÁLVARES CABRAL F336



Foto Actual da entrada

do Parque Nacional da

Gorongosa

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Luis Silva "Jamaica"

Aproveitei uns dias de sol,e fui até Lagos,além de uns dias de praia pude olhar novamente o horizonte do Oceano Atlântico,e recordar as centenas de vezes que olhei o horizonte de Oceanos,a navegar.
Como sempre e cada vez que me desloca a Lagos,faço uma visita ao nosso velho amigo "Jamaica"
Este ano encontrei-o mais doente,e continua a aguardar pela cirurgia que já aguardava no ano passado.
Já se encontra reformado com a misera quantia de 300 euros mês.
O "Jamaica" após sair da Marinha,voltou ao mar mas como pescador, á poucos anos e por motivo de doença, conseguiu uma colocação na Lota de Lagos.
Vi com os meus olhos a forma e as dificuldades com que vive,a medicação nos últimos meses aumentou quase 300 % e ainda por cima paga 5% de IVA pela mesma para engordar os cofres do Estado.
Para conseguir fazer face á compra de medicação,os seus antigos companheiros de mar,dão-lhe um balde de peixe (do seu quinhão) e o "Jamaica" vende-o na rua a quem passa.
O "Jamaica" não nasceu com o cú virado á lua.
Se o "Jamaica" mesmo sem trabalhar numa empresa pública,a mesma empresa lhe pagasse os descontos,hoje teria uma reforma principesca.
Se o "Jamaica" tivesse sido Presidente de uma Camâra,ao final de 6 anos de serviço a sua reforma teria o valor de 12 anos,6 anos dados gratuitamente e sem descontos.
Se o "Jamaica" tivesse sido Deputado aos 50 anos teria uma reforma mensal superior á sua reforma anual.
Se o "Jamaica" tivesse sido um drogado,receberia um Rendimento Social de Inserção,mensal superior á sua reforma e a medicação gratuita.
Afinal o "Jamaica" é mais um ex.militar a quem ensinaram o lema "A PÁTRIA HONRAI QUE A PÁTRIA VOS CONTEMPLA" e que afinal é uma vitima dos Governos Democráticos deste País,que esqueceram os ex combatentes bem como os militares que os apoiavam na retaguarda.
O "Jamaica" cumpriu o que a Nação lhe exigiu,e a Nação englobava as ex Províncias Ultramarinas,não fugiu e não desertou.
O "Jamaica" é uma das vitimas dos apoiantes dos grupos de Guerrilha Africanos,grupos que cometeram as maiores atrocidades aos militares Portugueses,bem como ás populações locais.
Hoje esses apoiantes dos grupos de Guerrilha, estão sentados nas mais altas estâncias do nosso pais fazendo e remendando as leis de forma a serem sempre favorecidos, engordando a sua conta bancária,e aumentando-se a eles próprios quase sempre em 50% do seu vencimento.
Talvez o "Jamaica" tenha uma hipótese.
Na próxima reeleição do Presidente da República,talvez Sua Excelência o Presidente de todos os Portugueses,como ex militar estacionado em Moçambique na Guerra Colonial,prometa mas cumpra,em dar o apoio social que todos os "Jamaicas" deste país necessitam,e que são esquecidos pelas mais altas instâncias governamentais,para os"Jamaicas" viverem os seus últimos dias mais desafogados,basta-lhes fornecer a medicação gratuita,( os drogados têem-na gratuita, os abortos são gratuitos,não são doenças mas sim opções) não é pedir muito a que autoriza que se perdoem milhões de Euros de divida a países bem mais ricos que o nosso.


Lagos 2008

Caravela Boa Esperança

A Falta de Elementos da ex. Guarnição nos Almoços de Convivio Anuais

De ano,para ano,no nosso almoço de convívio,temos notado o decréscimo de ex. elementos da guarnição.
São enviadas dezenas de cartas,pela comissão organizadora,mas as cartas nem são devolvidas nem têm resposta.
Em conversa com o Mendonça,da organização de 2008 e do próximo 2009,acordamos para a triste realidade,a maioria dos nossos ex.camaradas já deve ter partido.
Vejamos então os níveis das idades dos ex. elementos da guarnição.
O nosso Oficial Imediato,teria na altura cerca de 40 anos - hoje 80 anos
Os jovens Oficiais,teriam 23/25 anos - hoje 63/65 anos
Os Sargentos (excepto os Artificies ) teriam todos entre os 40/50 anos - hoje 80/90 anos
Os Sargentos Artificies teriam 25/30 anos - hoje 65/70 anos
Os Cabos teriam 40/50 anos - hoje 80/90 anos
Os Marinheiros antigos teriam 35/40 anos - hoje 75/80 anos
Os Marinheiros mais jovens teriam 20/25 anos - hoje 60/65 anos
Os Grumetes teriam 18/22 anos - hoje 58/62 anos
Acordamos tarde para a realidade,somos todos uns velhotes,com netos e aos quais aconselhamos,que não cometam as mesmas patifarias,que nós cometemos na nossa juventude.
O tempo passou muito rápido e nós não demos pela sua passagem.
Mas mesmos nessas circunstâncias,enquanto dois de nós formos vivos,iremos-nos reunir anualmente,recordar velhas amizades,histórias por nós passadas,e se necessário falar sobre a medicação que tomamos diariamente.
Só nos apercebemos da realidade quando consultamos a lista total de elementos da ex. guarnição.
Contámos os elementos difíceis de localizar,e os que sabemos que já partiram,sobraram poucos,e desses poucos que sobraram,alguns não têm comparecido nos últimos anos.
Recordo uma frase do Vítor Costa - enquanto houveram dois elementos não faltarei,se não comer,pelo menos bebo um copo a recordar os outros elementos da guarnição.
Também o Almirante Silva e Pinho,no penúltimo almoço nos recordou - Viemos por nossa vontade - Somos poucos mas bons.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Email recebido do Sr. Carlos Lopes Bento - Ex. Administrador da Ilha do Ibo - Moçambique



Ilha do Ibo -Moçambique

Nos posts sobre a nossa passagem pela Ilha do Ibo em Moçambique,coloquei fotos sobre a mesma,retirados da Internet,em sites que divulgam moçambique,onde nada descrevia que não as pudesse retirar,portanto fotos públicas.
Alguns dias depois sou confrontado via email,pelo autor das fotos,que me acusava o uso abusivo das mesmas.
Não conhecia na altura o site,onde o Sr. Carlos Lopes Bento,expunha o seu Buck de Fotos
www.panoramio.com/photo/2215810
Que desde já os convido a visitar,e a reviver a nossa passagem na Ilha do Ibo em Moçambique.
No site,onde está exposto o Buck do Sr.Carlos Lopes Bento,ai sim as fotos estão consignadas a autorização do autor -All rights reserved.
Mas como as fotos são sua pertença,e após a devida autorização,as fotos vão continuar publicadas no nosso site.
Em relação ás festas na Ilha do Ibo em Moçambique,o Exmo. Senhor Ex. Administrador da Ilha do Ibo em Moçambique,no seu email dá-nos a sua versão,e pelo que descreve,deduzo que deve ter havido um erro de intrepetação no convite feito pela Capitania local,ou pelo Comando da Fragata,em relação ao convite para a festa incluindo jantar.
Em email agradeci ao Sr. Carlos Lopes Santos,ter-se recordado da nossa estadia na Ilha,e ter.nos recordado a data da mesma estadia,bem como ao jogo de futebol em que a Fragata venceu a equipa local por 4-3.
Também lhe expliquei que os posts,não têm ordem cronológica,pois as datas á muito estão esquecidas,resumem-se a uma sequência de sul para norte e vice - versa,em locais onde permanecemos algum tempo.
Convidei o Sr. Carlos Lopes Bento, a descrever a nossa passagem pela Ilha do qual era Administrador,e fiquei agradado por quase 40 anos passados sobre o acontecimento,o Exmo. Senhor Ex Administrador da Ilha,se lembrar da Nossa Fragata e do nosso Comandante.


Equipa de futebol do,

NRP ÁLVARES CABRAL F336

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Correcção de Oficiais e Numero Total de Elementos da Guarnição do NRP ÁLVARES CABRAL F336

Só recentemente fui alertado pelo nosso amigo José Augusto Mendonça,para um facto que já tinha esquecido,passaram pela Fragata na comissão 13 Oficiais,ao contrário dos 11 Oficiais que tinha descrito anteriormente.
Foram rendições Individuais.
1.º Tenente Médico Naval - Santiago Jervis Ponce, rendido pelo
1.º Tenente Médico Naval - Ramiro Pedroso Correia

S/TEN - R.N - Elisio Gonçalves da Rocha,rendido pelo
S/TEN - R.N - Carlos Augusto Escoval Bom

Contrariamente aos 150 elementos da guarnição do NRP ÁLVARES CABRAL F336,que mencionei,venho corrigir esse numero para 174,elementos da guarnição.

Oficiais ------ 13
Sargentos --- 29
Cabos ------- 19
Marinheiros - 63
Taifa --------- 9
Grumetes --- 41

Licinio Rosa de Sousa