sábado, 31 de maio de 2008

O Caçador

O exímio caçador e nosso amigo "Casca Grossa"como tinha andado descalço durante a sua caçada,após o seu banho notou que os pés apresentavam uma cor diferente da do corpo,pensou que a causa dessa cor fosse de pisar lodo durante muito tempo.
Muniu-se de um balde e de soda cáutisca,diluiu e por sorte muito bem a soda cáustica com bastante água.
Tinha razão a cor existente nos pés desapareceu,ficou com os pés avermelhados e com um ardor insuportável nos mesmos.
Rumou á enfermaria,onde foi tratado e recebeu de bónus um par de peúgas brancas e novas confeccionadas em ligadura.
A temporada do "Casca Grossa" em Lourenço Marques terminou,passou o resto dos dias sentado na tolda e pelo convés,olhando quem passava,e olhando as aves que sobrevoavam o navio,talvez fazendo planos futuros para a sua próxima caçada.

Almoço de 2008.
O pessoal conversando,
enquanto aguardava
pelos mais retardatários

Almoço de 2008.
Após a chegada os
cumprimentos aos
presentes

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Caçada no Catembe

O grumete artilheiro e capitão do navio,com a alcunha de "Casca Grossa" era natural de uma aldeia nortenha,estava habituado a ver os caçadores da sua terra matar aves ,portanto tudo o que tivesse penas e voasse era caça.
Num passeio ao Catembe o "Casca Grossa" viu uns passarões,o ideal para um petisco a bordo.
Pediu ao comando a autorização para comprar a caçadeira,e foi-lhe concedida.
Todos nós os menores de 21 anos,embora em serviço militar não éramos emancipados,trocávamos a mãe e o pai,pela Marinha e pelo Governo,portanto sempre pendentes de uma autorização superior.
De caçadeira nova em seu puder,agora era só ir ao Catembe fazer a caçada que já idealizara.
Depois de autorizado a sair de bordo com a caçadeira,arranjou um farnel e um saco,ficamos a vê-lo a atravessar a baía no barco para o Catembe.
No Catembe depois de experimentar a arma,partiu para a caçada,quando achou que já caçara o suficiente,meteu a caça no saco,e andou pela zona do cais do Catembe a comemorar o seu primeiro dia de caçador com umas cervejas.
De volta a bordo um grande sorriso e uma grande bebedeira,ao mostrar-nos a caçada foi o espanto geral,3 ou 4 Flamingos,o difícil depois foi fazer-lhe crer que aquela carne não era comestivél era pior que Gaivota.
Não muito crente,meteu a suas peças de caça no saco e jogou-as para o fundo da baía,mas avisou-nos estão a enganar-me,mas se eu não as como vocês também não comem.
E logo uma promessa,um dia hei-de trazer caça suficiente para um almoço a bordo,"Promessas de Caçador"



quinta-feira, 29 de maio de 2008

Lourenço Marques (2)

Depois de passar parte da noite na rua do crime,pela manhã e após as rotinas de bordo,sentados na tolda,olhávamos as pessoas que passavam para o cais de embarque para o Catembe.
Do ponto onde estávamos avistávamos também a parte da baixa da Cidade.
Comentávamos então o bulicio da Cidade,o trânsito caótico,os turistas por todo o lado,e a Cidade deixava nos fascinados.
Lourenço Marques a Cidade onde ninguém comentava a guerra ao norte da província.
Parecia-nos que estavam alheios á situação,situação essa que também nos levou á província de Moçambique,esqueciam-se ou talvez se alheassem,embora a sua juventude local também combatesse no norte.
A arquitectura colonial,já estava circundada pela arquitectura moderna,o que diferenciava Lourenço Marques das nossas Cidades da Metrópole.
O nosso fascínio não era só a Cidade,estavamos fascinados pela África que gradualmente íamos descobrindo,o clima quente,as palmeiras e os coqueiros,iguais aos de Angola,um povo e um Oceano diferente,mas era a mesma África.
A população era afável,completamente diferente de Luanda,tiravam fotos ao navio,e conversavam connosco,começávamos a gostar de estar naquela Cidade,mas dentro de dias partiríamos para a Beira,sem data previsivél para voltar.
No período de licença,e em passeio á descoberta da Cidade,descobrimos o Jardim Vasco da Gama,um local aprazivél e com muito interesse para nós,mulheres aos montes,jovens aproximadamente da nossa idade,e mais velhas,eram mais que as mães,estávamos então no nosso habitat,era preciso era sabe-lo explorar.
Os Deuses africanos estavam connosco e deram-nos aquela visão parasidiaca,depois de embalados tanto tempo pelas ondas do Oceano,os Deuses ofereciam-nos a possibilidade se tivéssemos sorte, de sermos embalados na relva de um canteiro florido,na praia ou em lençóis por alguma daquelas belas Deusas.
Não podíamos ignorar aquele paraíso era só questão de tempo e paciência,já tínhamos dois pontos de "turismo" referenciados de noite rua do crime de dia jardim Vasco da Gama

Alto Mahe,Lourenço Marques

Portico do Jardim Vasco da Gama,
em Lourenço Marques

A noite de Lourenço Marques


Mulheres da rua Araújo

ou rua do Crime,

em Lourenço Marques

Foto de Ricardo Rangel


Rua Araújo ou Rua do Crime,
em Lourenço Marques

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Os Impulsionadores dos Nossos Almoços de Convivio

No inicio de 2000,o Vítor Costa,resolveu juntar os ex.elementos da guarnição,que pela lei da vida ainda restavam.
Resolveu e muito bem,contactou o Sargento Mor - Manta e o CMG - Possidónio Roberto.
Foram todos eles as molas impulsionadoras dos nossos encontros anuais,dividiram as tarefas,o Vítor encarregou-se dos anúncios na comunicação social, o Manta o contacto dos elementos na reserva e no activo,do contacto com os ex.Oficiais de bordo,ficou encarregue o CMG - Possidónio.
Depois destes contactos havia que contactar os civis,ambos contactaram a 2.º Repartição do Pessoal,e serviram-se ainda das moradas lá existentes,algumas deram bom fruto.
Outros estão espalhados pelo País ou pelo estrangeiro e sem forma de os sabermos contactar.
Não só a comissão de 2000,mas todas as seguintes,têm tido um grande apoio de ex.Oficiais de bordo,nomeadamente o Almirante - Rebelo Duarte, e o Almirante - Silva e Pinho,que passados todos estes anos, e na sua vida profissional,depois de terem comandado milhares de outros marinheiros, ainda nos conhecem pelo nosso nome próprio.
Independentemente da sua posição de Oficiais Generais,estão sempre abertos ao nosso contacto,bem como a ajudar as comissões no que estiver ao seu alcance,e a quem todos nós agradecemos a sua boa vontade e o seu desempenho.
Dos nosso almoços anuais á que referir que os anos de maior afluência de elementos foram os anos de 2000,2003,2006 a confirmar-se esta sequência 2009 será um êxito,e também porque vamos comemorar o 40.º aniversário da nossa partida para a comissão de serviço em África.


Aguardando pelos amigos.

Na foto - Vitor,Jordão e Moleiro


Comissão de 2008,
e já nomedos para 2009.
Mendonça e Letras

terça-feira, 27 de maio de 2008

Lourenço Marques (1)

Depois da borrasca,vêm a bonança,e foi com bom tempo,e logo pela manhã do dia 14 de Novembro de 1969 que avistamos a costa de Moçambique.
O Oficial navegador,fazia o plano de navegação de forma a entrar-mos num porto sempre ao amanhecer,nem que fosse necessário,e aconteceu tanta vez reduzir a velocidade do navio.
Ao entrar-mos na Baía do Espírito Santo,deparou-se algo inédito,a Baía estava pejada de Alforreca.
Finalmente avistamos o Cais Comercial,em Moçambique não existia Base Naval,pelo que sempre que atracávamos era em cais comercial.
Atracámos no cais do Gorjão,junto ao cais de embarque para o Catembe que se situava em oposto a Lourenço Marques e dividindo a baía entre ambas as cidades,a Baía do Espírito Santo,anteriormente denominada de Lagoa Bay e Baia de Lourenço Marques,depois Espírito Santo banhava ambas as cidades e presenteava-as com belíssimas praias.
O cais do Gorjão onde estávamos atracados,distanciava da baixa da cidade pouco mais de 200 metros,estávamos então no coração da cidade.
Depois dos cumprimentos formais por parte do nosso comando,e após o almoço,partimos para a cidade com o intuito de a descobrir.
Dois enormes cafés o Scala e o Continental,despertaram a nossa curiosidade,visitamos ambos.
Os habitantes de Lourenço Marques,deduziram logo que não tínhamos chegado da Metrópole(Portugal)porque já tínhamos a cara e os braços tisnados pelo Sol Africano.
Perguntavam de onde vínhamos e respondendo Angola,diziam-nos que Moçambique,nada tinha a ver com Angola,era melhor em tudo até no clima,tínhamos então tempo e ocasião para nos certificar-mos se efectivamente era verdade.
Descobrimos então a Rua Araújo (chamada na gíria rua do crime)a rua na quase sua totalidade eram bares e boites,preparamo-nos logo para passar lá a noite.
A rua Araújo ou rua do Crime,tinha sido no século XIX a rua dos Mercadores,nessa época foram instalado escritórios e poderosas empresas de exportação.
Quando da descoberta das minas de ouro no Rand (África do Sul) e coincidindo com a construção do caminho de ferro para o Transval,
a rua Araújo foi invadida,por Sírios,Libaneses,Italianos,Gregos e Ingleses,que trouxeram então do porto de Natal e de Pretoria,dançarinas,cançonetistas e prostitutas.
Como todos tínhamos levado uma nega na África do Sul ( até os mais mentirosos de bordo acabaram por revelar que também para eles foi chita )desejávamos que as horas passassem rápido,porque tínhamos de escolher (e foi difícil de escolher eram todas boas ) e ser saciados por umas belas Moçambicanas.

Vista da Cidade de Lorenço Marques


O velho rebocador "Tembe"

do Porto de Lourenço Marques



Porto de Lourenço Marques

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Dia da Marinha

Em 1969 e 1970,comemoramos o dia da Marinha em África,1969 em Angola,1970 em Moçambique.
No dia da Marinha o navio embandeirava em arco,acompanhado de iluminação, em formatura geral, era lida pelo comando a mensagem enviada pelo Ministro da Marinha.
Após as formalidades,eram improvisadas na tolda (ré) mesas corridas para o almoço em conjunto de toda a guarnição,nesse dia, tal como os outros de festa,o Comandante,os Oficiais e os Sargentos,abandonavam a sua camarinha e as suas messes,misturavam-se com os praças,e almoçávamos todos em conjunto.
Este blog,não está vocacionado para criticas,mas sim para contar,ainda que superficialmente o que foi a nossa comissão em África.
Mas os ex. marinheiros,os marinheiros na reserva e os marinheiros no activo,que fizeram parte da guarnição deste antigo navio,estão desolados e magoados com a forma que foi tratada a marinha nas suas comemorações em 2008,por parte do executivo governamental.
Como a Madeira ainda é Portugal,a Marinha deslocou 9 navios,com mais de 1000 marinheiros,para as comemorações do Dia da Marinha no Funchal.
A comunicação social e visual pouco transcreveu ou visualizou,esta comemoração.
O 1.º Ministro de Portugal,delegou num Ministro a sua presença,não foi á Madeira porque têm medo de de entrar no feudo de Alberto João Jardim,o Presidente Madeirense.
Não me admiro com a situação,já nos habituamos a ter governos que não estão vocacionados para resolver os problemas dos portugueses,e os Ministros só pretendem enriquecer o seu currinculum.
No meu Pais,e não me envergonho de ser Português,envergonho-me sim de alguns Portugueses que por cá andam,até tivemos um Ministro da Defesa que nem serviço militar cumpriu,parece que estamos no pais de Mugabe.
Sr. 1.º Ministro se ainda estiver no governo em 2009,e nas comemorações da Marinha de 2009,não volte as costas aos Marinheiros do seu pais.
Não tenha medo deles,todos fizeram um juramento de defender o pais e o governo,se necessário dando a própria vida.
Não se esqueça também Sr. 1.º Ministro,que a maior parte desses Marinheiros a que o Sr, virou as costas,como cidadãos votaram no seu partido,dando a V. Exa a oportunidade de aceder ao cargo que hoje vaidosamente desempenha.
Relembro a V.Exa. um antigo lema da Marinha "Homens de Ferro em Navios de Madeira"
Têm a Marinha presentemente um Almirante "Com Eles no Sitio" ou "Com Eles em Ferro"
e caso V.Exa,não se lembre de o demitir,este Almirante e acima de tudo,Marinheiro,sempre se oporá,a que o governo afunde a Marinha,para a transformar numa Guarda Costeira.
é um Almirante sem medo,frontal,Português,um digno descendente de Vasco da Gama.


Dia da Marinha,1970,Porto Amélia em Moçambique.


Dia da Marinha,1970 em Porto Amélia,ao meu lado o Sargento Silveira.

domingo, 25 de maio de 2008

Almoço Convivio 2008 (2)

Só ontem,tive a oportunidade de reunir, e ter em minha posse as fotos do nosso almoço de 2008.
Algumas das fotos têm pouca qualidade de cor e resolução,diz-se que a cor das paredes do restaurante, e a falta de claridade são o motivo de falta de nitidez das fotos.
Faltou-nos o profissional de fotografia,filho do nosso camarada e amigo Mendonça.
Como não sou entendido na matéria, nítidas ou não,são as nossas fotos,por isso á que publicá-las,e já estamos atrasados 15 dias.


Vitor, o digno representante da sua especialidade.

(era o único marinheiro clarim a bordo)


Os primeiros a chegar.

sábado, 24 de maio de 2008

Cabo das Agulhas

O Cabo das Agulhas situa-se no extremo Sul do Continente Africano,é considerado em fins hidrográficos como a divisória dos Oceanos Atlântico e Indico.
Navegávamos já na costa oriental de África,quando um familiar do Adamastor nos enviou um tremendo temporal,para estarmos em segurança no exterior do navio,tínhamos de nos juntar na ponte baixa,junto da casa do leme,como o navio adornava constantemente,não podíamos circular pelo convés e nem permanecer na tolda, a ré,porque uma vaga maior poderia varrer o navio e levar-nos com ela.
As fotos abaixo postadas,não sendo do nosso navio, podem exemplificar,o que era o adornamento do navio com vaga pelo través,bem como a vaga de proa.
A vaga de proa não nos incomodava muito,mas a vaga pelo través,trazia-nos inconvenientes para circular pelo navio,para dormir,e até para comer,para comer era necessário equilibrar o prato e o corpo,de forma a não entornar a comida,os que enjoavam com o mau tempo,só bebiam água e pouca,alimentavam-se quando chegassem a um porto,ou então com o mar chão.
Comentava-se,em Moçambique,que o incêndio na cozinha do NRP JOÃO BELO F480
(nosso companheiro de comissão) tinha tido origem no adornamento do navio por uma vaga repentina,que entornou o óleo de uma frigideira sobre o fogão.


NRP ÁLVARES CABRAL F331 (Nova) com vaga varrendo a proa.

Proa do NRP VASCO DA GAMA F330 (Nova)


NRP VASCO DA GAMA F330 (Nova)


NRP VASCO DA GAMA F330 (Nova)


NRP VASCO DA GAMA F330 (Nova)

com vaga pelo través,originando o adornamento do navio pelos bordos.



Farol do Cabo das Agulhas


Cabo das Agulhas,linha imaginária de separação,dos Oceanos Atlântico e Indico

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Cabo da Boa Esperança - Cape Good Hope

Ao contornar o Cabo da Boa Esperança,e para contrariar a história do Adamastor (criado por Luís de Camões)e dos marinheiros mais antigos,que previam um forte temporal ao contornar-mos o Cabo da Boa Esperança,não houve temporal nem tormentas,houve sim um mar tranquilo quase mar chão.
Devido ao fecho do Canal de Suez,cruzaram-se connosco inúmeros navios,ao contrário dos dias anteriores.
Diziam-nos os marinheiros mais antigos,que,o cabo da Boa Esperança,dividia os Oceanos Atlântico e o Indico,tal como se enganaram na previsão do temporal,também se enganaram na divisão dos Oceanos.
É o Cabo das Agulhas distanciado quase 150 km / 90 milhas marítimas,a Leste do Cabo da Boa Esperança,que separa o Oceano Atlântico do Oceano Indico.

Navio Patrulha,da Marinha Sul Africana,em fiscalização e patrulha,na rota do cabo.


Força Aérea Sul Africana,em fiscalização e patrulha, na rota do cabo

Farol do Cabo da Boa Esperança


Farol da Ponta do Cabo,no Cabo da Boa Esperança



Longitude e Latitude do Cabo da Boa Esperança

Farol da Ponta do Cabo,no Cabo da Boa Esperança

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Monumento a Vasco da Gama em St.Helena Bay

O monumento a ser inaugurado estava coberto pelas bandeiras de Portugal e da África do Sul,
mas dava para perceber que eram duas colunas de pedra em cima de uma grande pedra, quase enterrada no areal.
Formamos então á esquerda do dito monumento,e os Sul Africanos á direita do mesmo.
As formaturas eram comandadas por um oficial sul africano,que prolongaria a ordem de manejo de armas, de forma a que os nossos oficiais nos retransmitissem a respectiva ordem.
O ensaio decorreu de forma excepcional,parecia que tínhamos treinado durante semanas.
Os nossos oficiais se a memória não me falha eram então os 2.º Tenentes,Santos Roque (Falecido) e Silva e Pinho (Hoje Almirante)
Chegaram então as individualidades e o calor também,em representação do governo português o Ministro Dr. Rui Patrício (que nos ignorou,nem cumprimentou os oficiais portugueses)
Discurso atrás de discurso,e o calor a apertar,por fim o apresentar de armas, as bandeiras retiradas,conforme pensávamos duas pedras em cima de um calhau.
Finda a cerimónia do navio enviaram os gasolinas para nos recolherem,mas não havia ponto de embarque,os gasolinas ficaram a uns metros da costa,nós imitamos os marinheiros de Vasco da Gama,sapatos e arma na mão,calça arregaçada,butes na água gelada da baía para embarcar nos gasolinas.
Chegados a bordo,o navio levantou ferro,rumou a Lourenço Marques, em 14 de Novembro de 1969,entraremos pela primeira vez na Baía de Espírito Santo,ou Baía de Lourenço Marques.

Farol de St. Helena Bay

Baía de St.Helena Bay,área do monumento.


Monumento a Vasco da Gama,em St.Helena Bay,na África do Sul.

Retrodecendo 39 anos,na época o local era desértico sem vegetação alguma,o monumento não era mais que umas pedras junto á baía.

Presentemente, já apresenta um pouco mais de dignidade ao homenageado.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Saldanha Bay - Costa Ocidental da África do Sul



Pôr do Sol em Saldanha Bay


Saldanha Bay em foto recente


Baía de Saldanha Bay,em foto recente.

Adeus a Simonstown

Chegou a hora de dizer adeus a Simonestown,e rumar a Saldanha Bay.
Foram poucas horas de navegação,Saldanha Bay avistada de bordo,era como uma Aldeia,pouco casario,e uma enorme encosta deserta de vegetação.
Atracados ou fundeados(existe essa dúvida,já indaguei junto de outros camaradas de comissão,e não existe a certeza se o navio atracou ou fundeou)
Foi dada ordem para a unidade de desembarque formar na tolda,logo as bocas será que vamos atacar a África do Sul,ou organizar um golpe de estado,nada disso o mais provável era um exercício conjunto com os sul africanos,afinal também não era,aquela reunião era para sermos informados que por ordem do comando,iríamos dormir numa unidade naval sul africana,o navio rumaria a St.Helena Bay,onde no dia seguinte iríamos fazer guarda de honra á inauguração de um monumento a Vasco da Gama.
Agora sim,compreendíamos o porquê de em Luanda na Base Naval,fazer-mos exercício de ordem unida e manejo de armas,até pensávamos que era um castigo,ou então um treino para um desembarque na costa Moçambicana,onde tivéssemos de apresentar armas ao Régulo do aldeamento mais próximo do local de desembarque.
Conduzidos em autocarro lá fomos para a Academia da Marinha em Saldanha Bay,aquilo não era um aquartelamento,era um hotel,que bem que os marujos sul africanos viviam,se eles tivessem passado por algumas unidades navais portuguesas decerto desertavam.
Fomos os únicos a pisar terra,a restante guarnição navegou durante a noite para St.Helena Bay.
Á noite vagueando por aquela aldeia,só encontramos um salão de chá,que nem vendia cerveja,só coca-cola.
No dia seguinte, fomos então novamente conduzidos em autocarro, passando por zonas completamente desertas até St. Helena Bay(só o Vasco da Gama pararia naquele local,podia ter escolhido uma grande cidade,ou então quis passar despercebido)
St. Helena Bay,era mesmo um deserto,algumas casa ao longe,distanciadas umas das outras,muita areia que nos sujava os sapatos,engraxados para a cerimónia , e na baía, lá estava estava fundeado,e imponente o nosso navio.


Museu Naval de Simonstown


Base Naval de Simonstown


Um solitário,não era chefe nem politico,senão teria outros por perto a bajula-lo.
Pela sua posição o mais certo era estar de serviço de sentinela.


As focas saiam da água,e para as ver mais de perto tínhamos de nos aproximar das rochas.


Pinguins na Baía de Simonstown,logo pela manhã, corriamos á borda do navio só para ver estes pequenos seres,

terça-feira, 20 de maio de 2008

Cape Town

A malta depois de se refazer da seca que levamos na missa,avançamos novamente para terra.
Ao passar-mos frente á gare ferroviária,alguém se lembrou de irmos visitar Cape Town (Cidade do Cabo) mas para isso necessitávamos de autorização do nosso comando.
Alguém do grupo disse sou o mais graduado têm autorização(era uma autorização de efeito nulo,mais por brincadeira) Entramos na gare, adquirimos os bilhetes,no comboio ocupamos uns lugares numa carruagem, e íamos á aventura.
O comboio não andava e só se via os broncos falarem,em vez de porem o comboio em movimento,apontavam para nós,deduzimos que estavam com duvida de termos bilhetes,então mostrávamos os bilhetes aos broncos.
Veio então um madeirense, que nos explicou que estávamos nas carruagens dos pretos, e enquanto não mudássemos de carruagem o comboio não andava ( até que ponto aqueles gajos eram racista) nós queríamos lá saber da carruagem e de quem lá ia,queríamos era ir para Cape Town,depois do nosso patricio português tanto insistir connosco,resolvemos mudar de carruagem ,para as dos brancos que se situavam na parte dianteira do comboio.
O que para nós era já ali,demorou algumas horas,o comboio parava em todas as cidades, vilas,aldeias e lugares,tínhamos o plano estragado,chegamos a Cape Town já noite,tratámos logo de saber o horário do comboio de retorno.
Escolhemos um comboio que chegaria a Simonstown,antes da hora marcada para o regresso das licenças a bordo,ficávamos então com uma margem de 3 a 4 horas para passear em Cape Town.
Demos uma volta pela Cidade,fomos a uma discoteca,voltamos á estação e mais umas quantas horas de viagem de retorno, mas chegámos a tempo e horas.
Foi uma viagem inglória e não a podíamos comentar a bordo,tinhamo-nos ausentado da cidade, sem autorização, do comando,seriam razões suficientes para levar-mos um castigo durissimo.


Visão da Baía e de Simonstown

Navios de Guerra em Simonstown

Navios de Guerra em Simonstown

segunda-feira, 19 de maio de 2008

A Missa em Simonstown

Depois de dormir umas horas(poucas mesmo,teríamos tempo para dormir quando rumássemos a Lourenço Marques) fardadinhos como mandava o regulamento,lá vão os marujos para a igreja, nossos amigos, que ficavam a bordo, mandavam-nos umas bocas.
Na igreja uma recepção de boas vindas, levaram-nos de seguida para o local destinado á nossa presença física.
Meu Deus(estávamos na casa dele) tanta mulher boa(ou não fossem boas as mulheres que frequentavam a igreja).
Mal abríamos os olhos,devido á ressaca, mesmo assim, quase que as despíamos com os olhos, mas não nos saiu a loteria,saiu-nos a aproximação,as avozinhas cercaram-nos ,pondo as netas a bom recato.
Era o que faltava calhar-nos pela proa.
Deram-nos então um livro,até o abriram na página que deveríamos ler,quem não falava inglês,mas que lesse o livro, seria mesmo um milagre.
As avozinhas rezavam baixinho(talvez pedindo perdão a Deus por serem racistas,ou então a pedirem a sua juventude de volta,pois estavam a rodear os marujos)Para piorar as coisas o padre deu missa através de auto falantes,a voz do homem entrava na nossa cabeça parecendo um trovão,e a missa que nunca mais acabava,lá nos íamos encostando uns aos outros para manter o equilíbrio e a dignidade do momento.
No final da missa que demorou bastante tempo, as avozinhas vieram agradecer a nossa presença,mas mantiveram longe as mulheres boas acabadas de sair da missa,falavam,e não desgrudavam,por fim desgrudaram,e como não nos podíamos aproximar da caça grossa,fomos para bordo,descansar um pouquito,já tínhamos o dever imposto, cumprido.
Era urgente descansar,porque o dia ainda era longo,acrescentando a respectiva noite,e tínhamos muito para fazer na África do Sul.


Porto de Simonstown

Habitantes das águas geladas da Baía de Simonstown

Vizinhos,e também Habitantes das águas geladas da Baía de Simonstown


Baía de Simonstown vista de terra