terça-feira, 29 de abril de 2008

Record a bordo

No presente,raro é o dia que a comunicação social,não relata casos de obras,e que devido ao prolongamento do tempo estipulado,e á falta de Euros para conclusão da mesma,prejudica os residentes,e até por vezes altera a sua rotina diária.
Obras arquitectadas e dirigidas por luminosos.
Foi relembrado por um ex.Oficial de bordo num site do seu curso,a diferença entre os novos navios cheios de mordomias,e os velhos navios que em África e sob um calor tórrido nem ar condicionado tinham,muito menos as condições dos navios modernos.
A nossa fragata também esteve em modernização e alterações pelo Arsenal do Alfeite,para que a bordo tivéssemos umas condições mais condignas,mas que no fundo eram sempre as mínimas.
Recuemos agora umas dezenas de anos e o mesmo navio que esteve a receber as alterações no seu interior.
Um dia entra pela prancha um grupo de operários,dirigem-se para os sanitários dos praças,e toca a desmontar as sanitas,e vedando o local para a continuação das obras.
Relembro que éramos mais de 100 praças,e agora quando a necessidade apertar como vai ser.
Sanitários dos Oficiais nem pensar,sanitário dos Sargentos foi logo fechado á chave.
Mandaram, então transmitir aos praças,que as obras se deviam á substituição das sanitas por turcos,porque os meios que os praças frequentavam,poderia ser um meio infeccioso,e que se poderia passar as doenças a outros,era este o tratamento que os praças mereciam,e pondo á disposição dos praças baldes de zinco,com boca larga,onde não nos podiamos sentar,servindo o balde como aparadeira,que depois deveríamos transportar pelo navio, jogar o conteudo borda fora á ré,quando atracados,e não esquecendo que teriamos de lavar o balde.
Alguém estava no século XXI,e nós ainda no século XX,estava muito avançado para a época.
As obras foram avançando nos dias que se seguiram ,entretanto como íamos navegar,as obras foram interrompidas e vedadas pois não estavam concluídas.
Durante a navegação e á vista dos navios que cruzavam connosco,e de certo assentando os binóculos no nosso navio,apreciaram um espectáculo inacreditável,os marujos sentados entre cabos da balaustrada na tolda,no sitio mais recolhido a estibordo porque não tinha porta,com o cu fora de borda,e o dito cujo que se afastava do navio a grande velocidade talvez com medo de ser triturado pelos hélices do navio.
Dos navios que nos avistaram devem ter pensado tratar-se de uns tubos lança torpedos moderníssimo,que os navios de guerra do país deles ainda ainda não possuíam.
Foi um fartote nunca nos divertimos tanto,nem nunca nos tinha passado pela cabeça navegar com o cu fora de borda.
Finda a navegação voltamos ao cais para a conclusão das obras,e voltamos ao balde de zinco.
Até que finalmente as obras acabaram,e não foram inauguradas, por quem as mandou fazer, aos baldes de zinco que prestaram um grandioso serviço aos mais de 100 praças,nem uma palavra de apreço.
Fomos os únicos,tenho a certeza que deveríamos figurar no livro do Guiness,por batermos o recorde do cu fora de borda.


Relembrar o Infante D. Henrique,Lobito


Camões no Lobito

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Tiro ao Alvo

Não sei porquê,mas passados uns meses do inicio da comissão,alguns elementos da guarnição começaram a ter um comportamento estranho nas acções que praticavam no dia a dia,disse-ia que nem toda a gente tinha o sótão bem arrumado.
Certo dia a navegar ao largo da costa de Angola,e como tempo não nos faltava,tínhamos todo o tempo do mundo,pela mínima tínhamos 24 meses em tempo,alguns elementos de bordo inventaram um jogo "A Descoberta do Tubarão"
que coinscistia,em quem maior numero de tubarões visualiza-se, ganhava uma cervejola.
Estávamos nós entretidos no jogo,quando o 1.º Sargento Cabrita (Fiel do Navio) se aproxima de nós puxa pela sua arma de defesa pessoal e particular, e nos pede para dar uns tiritos.
E como há muito tempo não praticava era uma boa altura para experimentar a arma.
Autorização concedida pelos Grumetes ao 1.º Sargento,e os tubarões passaram a ser um alvo movél.
Certo é que o Sargento Cabrita não estando ligado ao armamento(Era Escriturário) tinha uma pontaria invejável,ao tiro disparado o tubarão revolvia-se na água,para nós sinal de ter papado um balázio, e outros mais foram tomando o remédio do Sargento Cabrita,mas ficou-nos uma dúvida a esclarecer.
Como o navio continuava a navegar,ficamos sem saber se uma simples bala 6,35 era suficiente para matar um tubarão,nesse dia ninguém ganhou a cervejola,pois a ganhar teria de ser o vencedor que meteu todas as balas no alvos.


Praia das Miragens - Moçamedes


Porto de Pesca de Moçamedes


Porto Alexandre

domingo, 27 de abril de 2008

João Frade

A cerca de dois meses do termino da nossa comissão,o ex grumete fogueiro João Frade,fez uma permuta para outro navio,e continuou a comissão por mais um ano.
Ao terminar o serviço militar ingressa na P.S.P,sendo destacado para a Esquadra do Barreiro.
Reencontramos-nos ,na pior época de sua vida,o primeiro filho do Frade,com uma doença bastante grave acabou por falecer,sem a medicina encontrar um tratamento adequado para lhe manter a vida.
Depois fomos-nos encontrando periodicamente.
O Frade,ainda em jovem,contrai também um problema de saúde,que com o decorrer dos anos se vai agravando,e lhe começa a inibir a sua locomoção.
Com o agravamento da doença,é colocado na secretaria da P.S.P,sendo transportado para o serviço e retorno a casa pelos seus colegas.
Por fim passam-no á condição de aposentação.
Desde 2000 que convidávamos o Frade para os nossos almoços,por motivo desconhecido nunca compareceu.
Em 2007,transmitiu ao Mendonça,organizador do almoço,que nesse ano sim estaria presente,estava disponivél para reencontrar os seus amigos de comissão,uns dias depois foi matar saudades da sua terra natal no Alentejo,inesperadamente sentiu-se mal,e faleceu,ficou para sempre na terra que o viu nascer.




Praças da guarnição do

NRP Álvares Cabral F336



Baía dos Tigres

sábado, 26 de abril de 2008

Após comemoração do 25 de Abril

Ontem nas comemorações oficiais ao dia da liberdade,por curiosidade , liguei a TV,e na Assembleia da Republica,além dos deputados engalanados por um cravo na lapela (será que alguns dos deputados,serão merecedores de usar tal distinção ) presentes um pequeno numero de oficiais militares a quem devemos a liberdade hoje existente,e o derrube da ditadura.
Não por politica,mas vou recordar apenas um,e falecido,porque fez parte da nossa guarnição.
1.º Tenente Médico Naval Ramiro Correia.
Aderente do Movimento das Forças Armadas,por parte da Armada.
Em Maio de 1974,faz parte da comissão coordenadora do MFA, como representante da Armada na comissão AD-Hoc,para a imprensa,rádio e TV.
De 13 a 28 de Janeiro de 1975,e graduado em Capitão de Mar e Guerra,inicia a Campanha de Dinamização Cultural no Nordeste Transmontano.
Por decreto lei n.º 132 - A/75 de 17 de Março, o General Costa Gomes,Presidente da República,nomeia Ramiro Correia para o Conselho da Revolução.
Em 5 de Setembro de 1975,na Assembleia do MFA,em Tancos,é conotada a sua ligação a um partido politico,e por votação expressa é afastado do Conselho da Revolução, retorna ao Posto a que tinha direito,governava o país o 5.º Governo Provisório.
Ramiro Correia era um combatente activo na politica,e os seus ideais já os trazia do seu tempo de estudante,mas os seus ideais não coincidiam com o programa do MFA.
Afastado por imposição,em Maio de 1976,parte com sua esposa e filhos para Moçambique com o estatuto de cooperante.
Samora Machel designa-o para um cargo de digirente no Hospital Central de Maputo.
Em Agosto de 1977,num período de lazer,a sua embarcação de recreio naufraga na Baía de Bilene,em Moçambique,do naufrágio apenas sobrevive um filho.
Ramiro Correia ,viveu e lutou por um seu ideal,foi um combatente das suas convicções.
Morreu num país que elegeu como seu,e por onde já tinha passado durante a nossa comissão,país esse que nunca esqueceu,e que o recebeu de braços abertos.

Desporto durante a comisão (4 )


sexta-feira, 25 de abril de 2008

25 Abril de 1974



NRP Gago Coutinho F473,

em 25 Abril de 1974,a guarnição não acata uma ordem de comando,e recusa abrir fogo contra os militares revoltosos do MFA.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Troféus de caça

Começou a aparecer a bordo na ponte baixa,num local recolhido,algumas cabeças e hastes de animais.
Como não tinham asas alguém as trouxe para bordo,foi informado o Mestre do achado,a que o mesmo informou ter conhecimento e que pertenciam ao 1.ºTen. Médico Naval - Jervis Ponce.
O numero de hastes de animais,com o tempo foi duplicando,mas como não exalavam cheiro,deviam de ter algum tratamento, por esse motivo não perturbavam a bordo.
O referido e eximimio caçador,abandonava a carcaça do animal só lhe retirando a cabeça ou as hastes, para embalsamar como seu troféu de caça.
Após a sua rendição individual pelo 1.º Ten. Ramiro Correia,os troféus de caça ficaram abandonados a bordo.
O Mestre do navio informou o Oficial Imediato,do abandono das cabeças e hastes dos animais e pediu ordem para os arrumar fora de borda,recebeu autorização para executar a tarefa,e o Rei Neptuno sem nunca ter caçado recebeu os ditos troféus sem um agradecimento sequer.

Casa em Novo Redondo


O Governo em Novo Redondo

quarta-feira, 23 de abril de 2008

A Foto

Quase 40 anos passados,desde o inicio da nossa comissão,e quando temos o sótão arrumado,eis que uma simples foto nos trás a lembrança de um caso passado a bordo,e que julgava esquecido.
Ao visitar hoje um site de ex combatentes,vi uma foto de alguns prisioneiros transportados por uma fragata.
Essa foto fez-me recuar no tempo,sem dúvida nenhuma era uma foto da nossa fragata,e relembrei o caso em questão.
Sem querer levantar polémica ou atrito,com os ex combatentes,ou com os ex oficiais de bordo,e não sendo eu apoiante dos movimentos que lutaram contra os portugueses, ao contrários de alguns ex militares,que hoje são amigos do peito.
Portanto não defendo qualquer das partes,só relembro a forma desumana do tratamento dado a estes prisioneiros,forma que não era usual a bordo.
Á revelia dos seus superiores,alguns militares a quem estavam confiados os prisioneiros transportaram-nos para o castelo de proa,e a seu bel prazer resolveram dar um banho aos prisioneiros,presentes elementos da guarnição incluindo alguns sargentos,sendo os mesmos mais graduados,portanto nossos superiores,e que não obstaram perante a situação.
Foram ligadas as bombas e utilizadas as mangueiras da rede de incêndios,e o alvo dos jactos de água passaram a ser os prisioneiros.
As impurezas que em conjunto com a água captadas pelas bombas,e a própria pressão da água,ao bater nos corpos dos prisioneiros era como se agulhas lhe enterrassem no corpo.
Perante os gemidos de dor,e perante as posições tomadas pelos prisioneiros para fugir ao jacto de água,arrancavam as nossas gargalhadas. Mas nenhum sargento, ou o oficial de quarto que contemplava aquela cena da ponte de comando pôs termo a esta situação.
Sei pelos filhos da minha escola as contrariedades que passavam durante as suas patrulhas nas matas Moçambicanas.
O cansaço,a sede, a fome,vislumbrando a morte a qualquer instante,e trazendo muitas vezes no corpo estilhaços,marcas essas que ficariam para toda a vida, tinham-se de se proteger, e proteger os seus camaradas, no campo de combate,compreendo a sua revolta e a sua sede de vingança ,vingança essa que era aplicada em cada tiro que disparavam.
Depois de todos estes anos,a dúvida persiste,não se compreende o porquê da vingança após combate, e com prisioneiros indefesos.
Quase 40 anos passados, não são motivos políticos nem religiosos,que me levam ao arrependimento de minha presença, e das minhas gargalhadas perante aquele acto, que hoje considero desumano,não represento quem praticou tal acto,mas julgo que possivelmente estará arrependido de ter tratado daquela forma pessoas indefesas.


segunda-feira, 21 de abril de 2008

Do Atlântico para o Indico

Começa a circular entre a guarnição,haver uma ordem de alteração á nossa comissão em Angola.
Comenta-se que nos vamos deslocar para Moçambique onde continuaremos a comissão de serviço.
Deixar Angola,porquê,a cidade de Luanda e do Lobito,era onde nos sentíamos melhor,nada tinham a ver com as cidades de Portugal,eram diferentes,modernas,a vivência,as praias,as paisagens,os habitantes tinham uma forma de viver diferente, daquela a que estávamos acostumados.
As cidades ideais para viver caso pudéssemos continuar em Angola depois do serviço militar.
Trocar o Oceano Atlântico,que raramente nos dava mau tempo na costa de Angola,pelo Oceano Indico,que banhava Moçambique e que segundo os mais velhos só nos daria temporal e forte ondulação.
Soubemos depois o porquê da mudança,sendo informação não oficial,mas as novas fragatas,não poderiam navegar em Moçambique devido ás águas barrentas das baías que lhe entupiriam os filtros,tretas pois acabaram por nos fazer companhia depois em Moçambique.
Mas a ordem era obedecer e a nossa vontade não prevalecia.
Por fim a informação oficial que em 2 de Novembro de 1969,deixaríamos Angola e rumaríamos a Moçambique,com visita a Simonstown e Saldanha Bay na África do Sul,a partir dessa informação oficial, aproveitámos o máximo do nosso tempo livre para nos divertirmos e guardar na memória,as belas praias e paisagens de Angola, e as nossas cidades eleitas Luanda e Lobito.



Baía e Cidade de Novo Redondo,


sábado, 19 de abril de 2008

Fumadores

Era -nos vedado,ou proibido fumar durante as horas de serviço,e em certos locais das unidades militares.
Havia locais próprios para fumar,mas com a condição de manter esse local limpo, as beatas e os paus de fosforo nos respectivos cinzeiros.
Ao acaso lembro-me de na Escola de Alunos Marinheiros,haver um velho 1.º Tenente que ao circular pela escola na sua bicicleta,travava repentinamente ao avistar um pau de fosforo no chão,chamava o aluno mais próximo dizendo "ó rapazinho tira-me este barrote da frente senão não posso passar"
A bordo do NRP Álvares Cabral F336,e tal como mandava o RDM (pelo menos diziam que lá estava descrito) era um acto de desrespeito falar com um superior tendo um cigarro na mão, acto que era acatado por todos os militares em sinal de respeito pelos seus superiores,se caso o superior se nos dirigisse era logo logo o cigarro para o chão e posição de sentido,depois do superior se retirar,voltávamos a apanhar o cigarro ou se continuava a fumar,ou pôr no cinzeiro mais próximo.
A bordo o serviço de ordenança á ponte eram 4 horas sem fumar,ou então tomando coragem e pedir a respectiva autorização para fumar,sujeito a um não,por mim fui sempre autorizado.
O serviço de vigia,era como se fosse quase uma sentinela,a esses não era autorizado fumar durante as duas horas de serviço,pois não se podiam distrair no serviço que lhe estava confiado.
Aquela época até os isqueiros nos estavam vedados a não ser ter uma licença para a posse do mesmo,uma lei da Republica Portuguesa que vigorou entre 1937 e 1970.
Utilizávamos então as caixas de fósforos(amorfos) até ao aparecimento da moderna carteira de fósforos que ultrapassou a velhinha caixa.
A bordo na cantina vendia-se isqueiros mas só os poderíamos utilizar a bordo,pois no exterior do navio,sendo caçados por um fiscal,e sendo nós militares a multa era o dobro do que pagaria um transgressor civil.
Caricato era a organização governamental "Movimento Nacional Feminino" oferecer isqueiros aos militares portugueses,não oferecendo a respectiva licença,e sabendo o respectivo movimento do valor da multa,se o militar fosse apanhado em transgressão por ter na sua posse um simples e banal isqueiro,que até não era considerado como uma arma letal.


Lei que vigorou entre 1937 e 1970,onde se convida á denuncia, recebendo os denunciadores metade da multa que reverteria para a Autarquia.

O Portugal de antigamente.


sexta-feira, 18 de abril de 2008

O Afogamento do Prisioneiro

Um dia ao final da tarde a Base Naval de Luanda,começou a ter um movimento pouco usual,a zona de acostagem da LDG vedada,pessoal armado em seu redor,afinal o que se passaria,acabamos por saber logo depois.
Chegam carros com policia militar,policia de segurança publica e autocarros cheios de africanos,que afinal eram prisioneiros apanhados nas matas pelos militares portugueses,e o destino deles eram ser transportados para uma prisão no deserto de Moçâmedes.
Ainda antes do desembarque dos prisioneiros é colocado a bordo da LDG mergulhadores da Armada,abertas as portas á ordem do Oficial que comandava todo aquele aparato,os prisioneiros são colocados a bordo,com ordem de se manterem no fundo da LDG.
Dois prisioneiros ao entrar na LDG tentam a fuga,mergulham nas águas da baía,mergulhadores logo na água e um é recuperado e enviado para bordo,o outro demora em aparecer,nós os mirones comentamos,fugiu ou morreu.
Por fim reaparece,mas já não passava de um cadáver trazido pelo mergulhador, colocado no cais á vista dos outros prisioneiros,mais nenhum tentou a fuga,instalou-se entre os mirones a dúvida,morreu ou foi morto,duvida que tiraríamos, porque no dia seguinte no bar das praças da Base Naval, o mergulhador orgulhosamente comentava com os seus amigos,só tive de o segurar e arrastar para debaixo da LDG,quando morreu trouxe-o para cima.
Que contradição se eu desse uma bofetada em alguém,ou não cumprisse imediatamente uma ordem,seria castigado com prisão disciplinar á luz do RDM.
Outro tira a vida a uma pessoa indefesa,sem ser em legitima defesa,ou em combate,é um herói,homenageado pelos seus amigos,e sem o levantamento do auto de averiguações para saber o porquê daquela morte.
Afinal o RDM naquela época só era aplicado a quem não fosse apadrinhado pelo comando.


Baía de Benguela


Vista aerea de Porto Alexandre

quinta-feira, 17 de abril de 2008

"Curiosidades da nossa Fragata" ( 4 )

Ao abrigo dos artigos 42.º e 43.º da carta das Nações Unidas em 1965,uma esquadra de navios de guerra ingleses navega para o Canal de Moçambique,para uma pretensa invasão da Rodésia a partir de solo Moçambicano.
Em Março e Abril de 1966,o NRP Álvares Cabral F336,vê-se no meio de um conflito,gerado pelos Ingleses que não pretendem,e se opõem á independência da sua antiga colónia a Rodésia.
Sendo insuficiente os meios navais,e sendo a única fragata para enfrentar os ingleses,é dada ordem para voltar a Moçambique o NRP D.Francisco de Almeida F479,que se encontrava em viagem ao Oriente, sendo também enviada para Moçambique a fragata NRP vasco da Gama F478.
Estando a postos os meios terrestres e aéreos,a Beira passa a contar com três fragatas para a sua defesa,e impedir qualquer forma de desembarque de tropas inglesas que se apresentaram com uma esquadra de 9 navios de guerra ,incluindo 3 Destroyers e um Porta Aviões com mais de 70 Aviões de combate.
O conselho das Nações Unidas acaba por se opor á invasão, e recomenda o embargo ao Porto da Beira aos Navios que transportem Petróleo,para que a Rodésia não pudesse obter esse produto.
Em finais de 1969 até Abril de 1971 o NRP Álvares Cabral F336 em comissão em Moçambique,volta a patrulhar o Canal de Moçambique e interpondo-se entre as fragatas inglesas e os Navios Mercantes,e não deixando aproximar as fragatas inglesas dos navios que transportavam militares portugueses,dando-lhe assim a protecção merecida.
Durante as suas duas últimas comissões o NRP Álvares Cabral F336,foi um baluarte de oposição aos ingleses que a construíram.


NRP Álvares Cabral F336,que em conjunto com o NRP D.Francisco de Almeida F479(sendo ambas da classe Álvares Cabral e ambas da classe Bay quando eram Inglesas)

Foram estes os meios navais Portugueses, que em 1966 fizeram oposição, e em prontidão, para enfrentar a Esquadra de Navios Ingleses no Canal de Moçambique,mesmo estando em plena desvantagem com o poder Bélico dos Ingleses

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Os tiros do Eusébio

Para um exercício de tiro anti aéreo,foi lançado á agua dois bidons,com a vaga (onda) pelo través (lateral ao navio) sempre que o navio adornava o alvo ficava elevado e as anti aéreas podiam fazer fogo.
O Comandante na ponte observava o exercício de fogo real, foram utilizadas as anti aéreas de bombordo,a de meio navio ficou inoperacional porque saltou a tampa da culatra e feriu um grumete,para salvar a honra do convento só a da asa da ponte,onde eu era municiador,o apontador o Marinheiro Eusébio,e o chefe o Cabo José Pedro.
Á ordem de fogo o Eusébio esmerava-se para acertar no bidon,mas o mesmo não estava quieto,projéctil por cima,lateral,por baixo e de acertar nada.
O Comandante furioso na ponte gritava que era um gasto inútil de munições,visto que nunca viu o bidon atingido.
Furioso mandou dar volta (acabar) ao exercício,o Eusébio foi chamado pelos chefes de Artilharia e levou uma reprimenda,mas ao voltar para a coberta (alojamento dos artilheiros) com um sorriso dizia,não acertei no bidon porque era um alvo pequeno,mas se fosse um avião tinha-o abatido.
O Eusébio teria atingido caso fosse um avião,se o avião procura-se os projecteis enviados pelo Eusébio,ou se o avião se mantivesse muito quietinho no ar e em posição lateral.


Pescadores de Porto Alexandre


Baía de Porto Alexandre

terça-feira, 15 de abril de 2008

Remédio Santo

O Sargento Torpedeiro Asdrubal,estava escalado de Sargento de dia e antes de abandonar o serviço para descansar tinha-o de o passar ao Cabo da Guarda,quando entregava o serviço entra pela prancha a cambalear um Marinheiro,não era doença,mas sim excesso de cerveja.
Depois de o repreender e visto que o Marinheiro não se calava,e que lhe tinha, saltado para o exterior a sua veia de cantor, o Sargento Asdrubal tudo tentava para o calar,pois mesmo junto á prancha estava o Camarote do Oficial Imediato e o do Comandante.
Não conseguindo os seus intentos,tomou outras medidas.
Teve uma ideia que nem ao diabo lembraria.
No Castelo de Proa existia uma lata de cerca de 20 litros de Solarine,que nós utilizávamos para limpar os amarelos do navio,a lata estava durante o dia exposta ao Sol,portanto pelo calor sofrido deveria de o cheiro estar bastante activo.
O Sarg. Asdrubal,chama o Marinheiro,leva-o junto da lata e diz-lhe eu destapo e tu cheiras,se bem pensou ambos o fizeram,os vapores da Solarine devem de ter chegado ao estômago do Marinheiro,que com o choque dos vapores até se sentou,de seguida para a borda dar o excesso que tinha aos peixes,acalmou e dormiu que nem um anjinho.
Passou a ser logo do conhecimento da guarnição aquele remédio,o Sargento Enfermeiro Medina proibiu a sua aplicação dizendo não ser bom para a saúde.
Poderia ter razão,não ser bom para a saúde,mas era excelente para o excesso de cerveja, se houvesse bula na lata só diria que aquele medicamento não deveria ser ingerido, cheirar não tinha contra indicações
Durante as noites de serviço foi aplicado algumas vezes,eu também cheguei a ser medicado.
O medicamento foi a salvaguarda de muitos, mas muitos elementos da guarnição de não serem castigados por algumas acção tomada estando embriagados


Baía de Porto Amboim


Avenida de Porto Amboim


Coqueiros de Porto Amboim

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Os Livros de Bordo

Em vez de haver dois livros de registo diário a bordo,havia mais um não oficial.

1.º Livro,o Livro de navegação,onde o Oficial de Quarto,registava todos os movimentos do navio,tal como posição nas horas estipuladas para tal,rumo e destino,avistamentos ,e quando necessário as perturbações de navegação ao navio caso necessitasse de alterar o rumo por motivo adverso ao navio.

2.º Livro,o Livro de Ocorrências a bordo,onde o Sargento de dia registava as ocorrências diárias,
descrevia as horas das saídas de licenças escrevendo o respectivo numero de ordem do militar,registando também a hora da entrada dos mesmos.
Além de ser o livro das queixinhas,de quem quisesse tramar a vida militar a outrem.
Depois de assinado pelo Oficial de Serviço ou de Quarto o Livro seguia para o Oficial Imediato.
Que então chamava os prevaricadores e lhes aplicava o castigo que entendia.
Mas em abono da verdade houve castigos,aplicados aos mais jovens que não foram muito correctos,utilizava-se muita vez em nome da antiguidade,(na Marinha antiguidade era um posto) uma forma de punir sem razão,motivo pelo qual dois Cabos e um Sargento nos faziam a vida negra no decorrer da comissão,casos que descreverei mais tarde.

3.º Livro,o Livro do José Carlos,onde religiosamente e todos os dias o Zé transcrevia para o seu diário,todos os movimentos do navio,os portos escalados, outros actos de relevo,e casos passados com elementos da guarnição.
Lembro-me de uma vez ler uma página,página essa onde eu era assinalado.
O Zé Carlos vive no Canadá não sabia que nos reuníamos anualmente,desde que tem esse conhecimento,os almoços não têm coincidido com o seu período de férias quando vem a Portugal.
Num email seu transmitiu-me que um dia muito breve estaria presente,talvez traga o seu diário e relembre a cada um de nós o dia a dia da nossa comissão.


Antigo posto de

Socorros/Hospital

na Baia dos Tigres



Pescadores da

Baia dos Tigres

domingo, 13 de abril de 2008

As Visitas de Cortesia

Como a guerra em Angola se desencadeava a norte e a leste,embora já pudesse haver ramificações a sul,a zona costeira a sul também militarizada era uma zona muito calma.
Nas nossas patrulhas a sul além da fiscalização costeira,também fazíamos o aproximação ás populações.
Essas cidades minúsculas parecidas com as nossa aldeias,vivendo essencialmente da pesca,foram visitadas pela nossa guarnição.
Algumas vezes encontramos arrastões estrangeiros,que á nossa aproximação levantavam ferro da baía e procuravam outras águas,julgo eu, que esses arrastões só se iam abastecer de viveres,razão pela qual nunca foram incomodados nem aprisionados.
Nalgumas dessas cidades a corrente eléctrica era fornecida por gerador era ligada ao anoitecer e desligada algumas horas depois.
Naquela época não havia televisão ,e cinema só nas grandes cidades,razão porque o nosso comando,mandava uma equipa a terra comandada pelo nosso cineasta de bordo cabo Coutinho,que em terra preparavam uma sessão de cinema para os habitantes.
A noticia corria rápido entre a população,e á hora aprazada lá estava um mar de gente.
Era um dia de festa,pois os habitantes vestiam-se como se de uma festa se tratasse.
Antecedia sempre o filme um documentário agregado á película,quase e sempre era sobre os governantes da altura rodeados de um mar de gente nas suas inaugurações.
Era um chamamento ao altruísmo português,apelando ao apoio aos governantes e difundindo que tudo faziam para o bem estar dos portugueses,terminava quase e sempre com a palavra obrigatória de que foi tudo feito "A Bem da Nação"
Palavra também obrigatória na documentação de e para o governo.
Embora gostassem ou não antes da cowboyada, da Sissi imperatriz da Áustria,de um filme de faca e alguidar com lágrimas á mistura,ou de um filme do Zé do Telhado,tinham de mamar com o antecedente documentário.
No final do filme desmontada a máquina,e em preparação já o corte da corrente eléctrica,vinha um aperto de mão ou um abraço,um grande obrigado por nos lembrar-mos deles e perguntando quando voltávamos,não sabíamos ,mas íamos voltar de certeza,e voltamos algumas vezes fomos recebidos com cortesia e como amigos de longa data.



sábado, 12 de abril de 2008

"Curiosidades da nossa Fragata" ( 3 )

Em 1957,sob o pavilhão inglês o HMS Burghead Bay k622 ( em 1959 NRP Álvares Cabral F336 ) é comandada pelo Capitão - Standey Lawrence Mc'Arde.
Conhecido nos meios navais ingleses por "Mac"
Mac ,a bordo do HMS Mohawk F125,o qual comandava,inicia em 1 de Março de 1966,o bloqueio ao Porto da Beira.
Reencontra o seu antigo navio, nove anos depois,mas em estado de prontidão e sob o pavilhão de Portugal,fazendo frente á ameaça de invasão por parte dos ingleses.
Em 1970 Mac,já como Almirante Supervisor,e em supervisão volta ao Canal de Moçambique a bordo do HMS Ashanti F117,e volta a reencontrar o seu antigo navio,mas desta vez não há estado de prontidão,só a presença para relembrar aos ingleses que naquela data Moçambique era Portugal


NRP Álvares Cabral F336,

a sair o Porto da Beira,

para patrulhamento no

Canal de Moçambique.



HMS Burghead Bay k 622,

da Royal Navy,comandada

por "Mac" em 1957.

( em 1959 denominada

NRP Álvares Cabral F 336 )



HMS Mohawk F125,

da Royal Navy,que

bloqueia o Porto da

Beira em 1966



HMS Ashanti F117,

da Royal Navy que

patrulha o Canal de

Moçambique em 1970

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Perdidos e Achados ( 2 )

Algures no deserto de Moçâmedes em Angola em 1969,foi encontrada abandonada uma espingarda G3.
As autoridades Militares trataram logo de saber a que pertencia a respectiva arma.
Pelo numero de serie,essa arma deveria de estar a bordo do NRP Álvares Cabral F336,pois fazia parte do seu lote de armamento.
Certo é que não estava,estava ausente,mas voltou para o seu lugar no armeiro de bordo,
Aguem com intuito de caçador ou com pretensão de caçador,levou a arma para uma caçada,e esqueceu-se de a trazer novamente para o lugar que lhe estava destinado.
Foi tapado o Sol com uma peneira,mas sem resultado.
Tentou-se criar um problema ao Escoteiro de bordo o Mar. Jordão,era um problema gravíssimo.
O comando ainda tentou o auto de averiguações.quis e impôs o silêncio do marinheiro.
Tentou arranjar um bode expiatório,pondo de parte o caçador,era necessário mostrar ás autoridades militares um castigo sem benovelência,para o prevaricador,mesmo sendo inocente.
Mas sabendo nós que o deserto de Moçâmedes têm dunas mas não têm Rio, têm dunas mas não têm Lago,têm dunas mas não têm Oceano,portanto nunca navegámos no deserto e de bordo a arma não caiu.
Pensou-se que o navio fosse anfíbio,também não, por duas vezes o vimos em doca seca,e sinal de rodas também não,portanto nunca fizemos uma condução no deserto,e o navio nunca esteve no deserto.
Foi fácil de solucionar alguém levou a arma ,mas quem?
Por esse motivo,embora convidado anualmente o Jordão não queria comparecer aos nossos almoços,até que em 2007 conseguimos a sua presença,e vai estar connosco novamente em 2008.


Postal de Moçamedes


Av. da Republica,

Moçamedes

quinta-feira, 10 de abril de 2008

"Curiosidades da nossa Fragata" ( 3 )

Por Portaria n.º 17146 - 1.º Semestre de 1959 pág. 412,da Legislação Portuguesa,é aumentado ao efectivo da Armada o NRP´Álvares Cabral F336.

Em 1960 o NRP Álvares Cabral F336, é comandado pelo CFR- Fernando Eduardo Pinto de Ornelas e Vasconcelos,que inicia a primeira viagem de Cadetes a bordo deste navio,no decorrer desta viagem escala pela primeira vez o Porto de Lourenço Marques em 27 de Julho de 1960.

Em 22 de Junho de 1963,escala o Rio Douro,levando a bordo o Presidente da República "Almirante Américo Tomás" que vai proceder á inauguração da Ponte da Arrábida sobre o Rio Douro na cidade do Porto.

Ainda em 1963 parte para uma comissão de serviço em Angola e regressa em 1965.

Entre 1966 e 1968,faz uma comissão de serviço em Moçambique,e em conjunto com o NRP D. Francisco de Almeida,em 1966,fazem oposição em estado de prontidão de combate aos navios Ingleses que pretendem desembarcar tropas para invadir a Rodésia,a partir do Porto da Beira

Entre 1969 e 1971 faz nova comissão de serviço em Moçambique.

Em 23 de Junho de 1971,passa ao estado de desarmamento.

Em 26 de Maio de 1972 é abatida ao serviço da Armada.

Teve uma existência de 27 anos,13 dos quais sob a Bandeira de Portugal.


Postal do Lobito


Postal do Lobito

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Perdidos e Achados ( 1 )

No final de 1980 a Fábrica onde eu trabalhava fechou,tive de iniciar nova vida profissional,passei a trabalhar para uma empresa que fazia a reparação e a manutenção em diversas empresas por este Portugal fora.
Já depois do nosso primeiro almoço em 2000,recebo ordem da minha chefia para me apresentar na Fabrica da Nacional,no Poço do Bispo em Lisboa.
Passados uns dias,ouvi alguém gritar por mim,olhei mas não reconheci,até cheguei a perguntar se era comigo,perante a afirmação fui ter com a pessoa,perguntou-me se não o reconhecia,olhei e efectivamente não reconheci,apresentou-se depois era um ex marinheiro fogueiro da nossa guarnição de nome se não me falha a memória Caetano.
Conversamos longamente,e depois diariamente,ao convite para os nossos almoços de convívio logo um redundo não.
Nada tinha contra a guarnição até gostava de os rever,pois a comissão tinha sido marcante na sua vida.
Explicou-me depois que ainda não estava esquecido do vexame de ter sido preso no paiol da amarra á ordem do nosso Oficial Imediato.
Não entrou em muitos pormenores,só dizendo que tinha sido por não cumprir uma ordem imediatamente.
Lembrei-me do caso,embora pouco comentado a bordo devido ao pacto de silêncio pelos intervenientes, e que ao chegarem a terra foram presos 15 ou 16 elementos da guarnição entre Praças e Sargentos.
Eu conheci o paiol da amarra ,durante a recolha da mesma em faina de fundeadouro,embora a amarra fosse lavada á entrada do paiol,transportava em pequenas quantidades lodo e areias,que juntas com a agua davam ao local uma sujidade tremenda,que nos dava direito ao banho logo á saída do local.
Não vou fazer juízo sobre o disciplinador,nem sobre o indisciplinado se é que chegou a haver indisciplina,mas decidir colocar um ser humano num lugar daqueles que além da sujidade sendo na proa e sujeita a um calor insuportável,tendo como entrada de ar apenas duas pequenas gateiras,julgo que foi contra todas as normas disciplinares em uso na Marinha,nem o prisioneiro elemento da Frelimo, que transportamos foi tratado dessa forma.
Certo é que o Caetano ainda não esqueceu,e nunca o vamos ter á nossa mesa no Almoço de Convívio.


Postal do Lobito


Postal do Lobito

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Navegar em ocultação de luz

De vez em quando,mais em Angola que em Moçambique,navegávamos em ocultação de luz.
Nunca aconteceu em transporte de tropas ou desembarque dos mesmos.
Dada a ordem de fechar e tapar vigias,fechar escotilhas exteriores bem como portas estanques de acesso ao exterior,agregada a esta ordem a proibição terminante de não fumar no exterior do navio.
Luz de navegação,sinalização e iluminação todas desligadas.
Deduzo que estas situações eram mais um exercício.
Passávamos a navio fantasma só detectado por radar,era então exigido aos vigias de bordos,uma atenção redobrada,relatar ao oficial de quarto tudo o que fosse visivél do seu bordo.
Agora idealizem,o navio não tinha ar condicionado(isso para nós, ar condicionado ou forçado era uma miragem,mas como não estávamos no deserto, seria talvez um milagre que nenhum santo nos satisfez) as altas temperaturas diurnas o sol a incidir todo o dia na estrutura de aço do navio,ora bem aquecido e transmitindo o calor para o seu interior,era insuportável.
De noite aguardávamos por temperaturas mais amenas,e de repente fecha tudo quase sufocávamos,mas como não estávamos proibidos de sair para o exterior,mesmo no escuro a tolda estava sempre cheia de pessoal.
Para sair tínhamos de passar por uma antecâmara com a porta junto á sala de máquinas,ao abrir aquela porta um dispositivo eléctrico/electrónico (o navio era velho mas tinha electrónica até tinha um sargento carpinteiro que nunca soubemos para quê ) que desligava a luz interior da antecâmara e podíamos abrir a porta exterior e sair então para o relento onde a temperatura era mais amena.


Postal do Porto

do Lobito



Postal do Lobito

domingo, 6 de abril de 2008

Visitas Nocturnas ao Feudo do TFD - Pimenta - Vulgo "Calcinhas"

O TFD (Dispenseiro) Pimenta,era o ajudante do Cabo TFD - Alberto,responsável pela nossa alimentação.
O Pimenta com muitos anos de Marinha,e ex prisioneiro da união Indiana,prestava serviço no NRP Afonso de Albuquerque,quando da invasão da União Indiana aos territórios Portugueses na Índia.
Ora o amigo calcinhas dizia orgulhosamente que na Marinha ninguém lhe passava a perna,e a bordo ninguém o enrolava,pois já era muito batido e dormia com um olho aberto.
Nós os mais novos estávamos sempre prontos para umas partidas,por vezes sem pensar nas consequências futuras.
Ao contrário do calcinhas o Alberto,estava sempre disposto a ceder qualquer coisa para um petisco a bordo,o calcinhas dizia vão á cantina,ou comprem na cidade,naquela época podíamos comprar na cidade um enlatado de chouriço com um kilo,mas gamado sabia melhor.
Começamos a pensar,o calcinhas têm a mania que é malandro temos de o lixar.
E não perdeu pela demora,o calcinhas desce aos frigorificos que ficavam no convés inferior,mas com entrada pela coberta(alojamento) da artilharia.
Na saída para pegar nos sacos pousa a chave,foi só o Carlos esticar a mão,aguardamos,e nada de manifestação da faltas das chaves,talvez julgando que as tinha perdido,no chaveiro de bordo havia mais.
A chave era para devolver,mas estas cabeças pensaram devolver as chaves só depois de um petisco,falou-se com o ajudante do padeiro o Abegão,que anuiu logo,faltava anuir o padeiro Dias,ora o Dias sendo outro engata anuiu também.
Depois da cozinha arrumada ao principio da noite o Dias começava a trabalhar,visitámos então o feudo do calcinhas e trouxemos uns chouriços.
Depois do pão estar no forno era um cheirinho,só pelo cheiro já dava para palitar os dentes e beber uma cerveja,então com o pão era meia dúzia delas.
Quando chegou a hora de comer os ditos,entra-nos pela cozinha o Oficial Imediato,porra fomos descobertos vai tudo para a prisão.
Como o Oficial Imediato também não se manifestou,a coisa não estava a correr mal,foi atraido pelo cheiro,o Dias um sabidão convidou logo o Oficial Imediato,portanto o Oficial Imediato como bom petisqueiro aceitou e prontificou-se logo a pagar umas cervejas e partilhar do nosso roubo sem ter conhecimento do mesmo.
Acordado o Cabo Coutinho que tinha as chaves das cervejas,nada menos que uma caixa bem fresquinhas pagas pelo Oficial Imediato. Sabendo nós que o Oficial Imediato gostava de cantar uma alentejanadas,o Dias começou então a puxar por ele,pão com chouriço cervejas e o nosso Oficial Imediato vá de cantar,foi pela noite fora.
A partir daquela data, não todos os dias para não alertar o calcinhas mas de vez em quando umas petiscadas durante a noite de preferência quando navegávamos.
Só no final da comissão demos a chave ao calcinhas,acabou por não levar a mal mas maldizeu o trio Barreirense,dizendo só podiam ter sido vocês mais ninguém me faria isso a bordo.

Palácio do Governador
Geral de Angola,
em Luanda

sábado, 5 de abril de 2008

CMG - Soares Parente

O nosso Comandante,era um homem de poucas falas,raramente falava connosco,limitava-se a retribuir o cumprimento da ordem.
Quando falava connosco e devido ao seu modo de fala,deixava nos nervosos e com vontade de o encontrar-mos pouca vez.
Algumas vezes de licença em terra e vestidos á civil ( o que era proibido, a não ser com ordem do comando ) e o encontrávamos,o Comandante fingia que não nos via,embora em transgressão nós respeitosamente o cumprimentávamos,respondia ao nosso cumprimento como se fossemos algum habitante e não elemento da guarnição.
Um dia o cabo manobra em substituição do Mestre (que tinha sido evacuado por motivo de doença )mandou-nos picar o convés muito próximo da camarote do Comandante a Bombordo.Após começar o batuque (não Africano ) o Comandante começou a passear pelo navio,normalmente fazia-o sempre naquele bordo,motivo porque esse local nunca era frequentado pela guarnição,embora não fosse proibido frequentá-lo.
De repente e com aquela voz de trovão pergunta,quem vos mandou para aqui,imediatamente o silêncio,perfilados e em sentido, um dos marinheiros respondeu que tinha sido o Mestre,e que tinham sido distribuídos para aquele serviço na formatura de serviços.
O Comandante ordenou,parem o trabalho e digam ao Mestre,que o Comandante sou eu,e se acharem que o navio está velho que o mandem imediatamente para Lisboa,e retirou-se para o seu camarote.
Certo é que durante muito tempo aquele local esteve condicionado ao pica e raspa.



Postal do Lobito

quinta-feira, 3 de abril de 2008

10 de Maio de 2008 "Vai tocar a reunir"

Se tiverem dúvidas no cróqui anexado,que indica o local do almoço.
Podem consultar em - Moçambique - Guerra Colonial - http://ultramar.terraweb.biz/
Encontros/Almoços/Convívios - Maio 2008.
Web Site dos nosso camaradas do Exército que além de divulgarem o nosso almoço,tiveram a cortesia de colocar no link um Mapa por Satélite.