segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Farol Cabo Espichel

Foto http://www.marinha.pt

Farol do Bugio

Foto de Carlos A M Loff Fonseca

Noite de 9 para 10 de Maio de 1971

De S.Vicente para Lisboa só nos faltava cerca de 5 dias de navegação,estávamos cada vez mais próximos de casa.
Em S.Vicente (Mindelo) um soldado do exercito pediu boleia para Lisboa para passar as férias junto dos familiares,foi-lhe concedido,depois de tudo tratado apresentou-se abordo,e para meu espanto era o Vitorino,somos amigos e fizemos a primária e secundária juntos,mais um amigo a bordo.
A viagem foi feita com ansiedade,chegamos á costa portuguesa ao entardecer do dia 9 de Maio.avistamos logo o espichel e depois o bugio,andamos toda a noite perto deles,e avistando as luzes de Cascais,foi uma noite enesquecivel,quase ninguém se deitou,a ansiedade de rever a família,deixava-nos acelerados.
Pela manhã de dia 10 de Maio chegou a ordem podíamos navegar para Lisboa,navegamos lentamente a fazer horário,pairamos no mar da palha para os cumprimentos protocolares, e depois Base Naval de Lisboa,foi a última etape.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Cabo Fogueiro Santos

Até 1987 a minha vida profissional foi feita no Barreiro,e como me sobrava algum tempo, um amigo convidou-me a ocupar esse tempo nos bombeiros,em data não precisa mas pelos anos 80,desloquei-me a Lisboa em serviço,na volta o maqueiro pediu-me para passar pelos bombeiros de campo ourique,pois gostava de ir ver o tio.
Quando entramos no bar dos bombeiros,deparei-me logo com o cabo Santos,largou tudo pois reconheceu-me ,o abraço dele ia-me partindo as costelas,voltei lá mais algumas vezes,ele esquecia o tempo a conversar.
Mais tarde fui informado que nos tinha deixado,perdi um amigo,mas esteja ele onde estiver sempre será recordado nos nossos convívios.

Um nosso conhecido do porto da Beira


Em foto recente


Junto ao farol que lhe deu o nome


quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Livro do Grumete Pag.155 - Edição de 1965


10 Maio 1971 ( Trio Barreirense )


António Moleiro 2007


António Moleiro 1969 / 1970


Descrever e contar a nossa história

O web site sobre a Álvares Cabral,além da sua guarnição que podem e devem postar as nossas histórias de bordo,as fotos da comissão,também os seus familiares podem postar,sobre as saudades que sentiram da partida e da ausência,tal como a alegria da chegada,podem também postar as fotos pessoais do tempo de comissão,bem como as actuais.
Vamos dar a conhecer o cabelo branco,bem como algumas carecas luzidias.
como não vou ser o último,vou colocar uma de 1969/1970 e uma de 2007(embora na foto faça referência a 2004, não tenho é jeito para remarcar a coisa)

10 Maio 1971

Faina acabada,pouco falta para abraçar os familiares.

Livro do Grumete pag.123 - Edição 1965


terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Calças de Ganga

Em 1969 um 2º grumete tinha como vencimento mensal 120$00 ( 60 cêntimos )
Um 1º grumete tinha como vencimento mensal 6oo$00 ( 3 euros )
Em comissão o posto mais baixo era o de 1º grumete e tinha um vencimento de1500$00 ( 7,50 euros )
Portanto o dinheiro era escasso,nós os jovens na altura,tal como os jovens de hoje gostam de se vestir pela moda,e a moda na altura era as gangas,mas muito caras,e ia-se sempre adiando a compra para o mês seguinte.
Quando nós estivemos na África do Sul,constatamos que os monhés,vendiam as gangas baratas
( ganga contrafeita) ora logo os grumetes se foram abastecer de calças e blusões.
Enquanto alguns grumetes lavaram as gangas na lavandaria de bordo,um mais apressado o russo
( cor de cabelo ) grumete fogueiro indagou junto do pessoal,qual a melhor forma das gangas serem arruçadas,para lhe dar um efeito de uso ( hoje o termo pré-lavadas ) um malandro aconselha-o a atar as calças com uma retenida e mandá-las borda fora que a água salgada se encarregaria de dar o tom que ele gostaria de ter nas suas calças.
Dito e feito,atou as calças pelo cós ( cintura ) com uma retenida ( corda fina) e agora vamos esperar.
Mas como já estávamos a navegar as calças foram arrastadas para a ré do navio,então foi só largar mais retenida para afastar as calças do navio.
De quando em vez,ia verificar a retenida e olhava ao longe para o cós das suas calças,entretanto chega a altura para verificar se já tinham a cor desejada.
Puxa retenida,as calças a aproximarem-se e o quê,só o cós então o resto das calças?
Mal sabia ele que o malandro que o aconselhou,sabia que o cachão de água produzido pela movimentação dos hélices, lhe desfazia as calças.
Tentou encobrir o caso,mas essas noticias corriam rápido a bordo.
A partir dessa data e durante algum tempo,quando alguém gritava ,"tubarão á popa com calças de ganga",era impróprio sobre impróprio,mas foi domado,acostumou-se,só maldizia o malandro que lhe deu o conselho.

Especialidades na Marinha no nosso tempo


Postal de Cabinda


10 de Maio de 1971

24 meses e 12 dias depois a fragata atraca na Base Naval de Lisboa,os familiares no cais aguardam a nossa saída.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Falta Justificada

Pela primeira vez (2007) o Carlos ex. grumete,faltou ao almoço de convívio.
Mas é justificada a sua falta,encontrava-se na Alemanha e tinha planeado o seu regresso duas semanas antes do almoço convívio,mas por motivos de saúde foi evacuado do seu local de trabalho em helicopetero para um hospital da capital alemã,voltou duas semanas depois de nos reunirmos,convalescente mas tratado,prometeu que não vai adoecer e vai estar presente em 2008

Indico

Canal de Moçambique,onde se encontra a maior concentração de tubarões no mundo,e que descascava porrada e sacudia a nossa velha fragata.

Atlântico

Aguas quentes e calmas da costa de Angola

domingo, 20 de janeiro de 2008

Governador Geral de Provincia Ultramarina


Comandante mais antigo numa reunião de navios

Distintivo içado a bordo quando havia mais navios da Armada no mesmo porto.

Simbolo de comando

Capitão de Mar e Guerra a bordo ( simbolo do nosso comandante)

Flâmula

Sempre içada no mastro,foi acrescentada mais um metro por cada mês de comissão,quando atracamos na Base Naval de Lisboa tocava na água do rio Tejo.

Bandeira Nacional

Bandeira nacional,içada a ré do nascer ao pôr do sol,com honras militares. A navegar mantinha-se içada.

Jaque

Era içado na proa,quando fundeado, acostado/ atracado , do nascer ao pôr do sol

Passado e Presente ( 5 )


sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

O pessoal de serviço foi apanhado

Ainda a TV não pensava em fazer e emitir programas de apanhados,já nós a bordo passávamos por um caso caricato do mesmo género.
Devido á altura das marés em África, com a variação de alguns metros,então quando atracados,com a maré alta, o sentinela era colocada á prancha a bordo até para se proteger do sol,com a maré baixa era colocado no cais,porque de bordo não se via quem se aproximava,e assim se passava a ter visibilidade sobre o cais e quem se aproximava da fragata.
Estávamos então de serviço,com o sentinela a bordo,quando o sarg.Parra(sarg dia) diz olhem o gajo. E o gajo era um marinheiro fogueiro(do qual não me recordo o nome)que se aproximava do navio,mas curioso vinha fardado de paraquedista e de boina na mão.
Primeiro pensamento,meteste-te nalguma e roubaram-te a farda e tiveste-te de desenrascar,
vestido á civil ainda vá,mas fardado de outro ramo militar,ia dar molho.
O marinheiro/paraquedista começa com um sorriso.
O sarg. Parra com ar de gozo e a retorcer o bigode,comenta á vens a rir,quando souberes que é para o cu até choras( frase usual a bordo).vais para o livro(livro de ocorrências de bordo)
o marinheiro/paraquedista põe a boina cumprimenta a bandeira e pede autorização para entrar a bordo,autorização concedida,cumprimenta o sarg.parra e pede para falar com o irmão marinheiro fogueiro.
Incrédulos olhávamos para o homem, o marinheiro é chamado e depois de um longo abraço ao paraquedista, o marinheiro, apresenta-nos o seu irmão gémeo,o sacana papou o pessoal de serviço,a partir dessa data se fardados sabíamos diferença-los,se á civil voltava tudo á estaca zero sem sabermos quem era quem.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Almoço de 2007


Postal do Monte Cara

Avistada do Mindelo, na ilha S. Vicente
-Cabo Verde

Álvares Cabral na Costa Sul de Angola


Almoço de 2007


Transporte de Militares

Embarcar militares para transportar era um problema,não pelos militares,mas pelo material que transportavam,bagagem armamento,as bagagens tinham de ser empilhadas,na tolda ou junto aos militares mas de forma,a deixar livre todas as passagens no interior,bem como no exterior.
Não interferir no serviço de bordo,e cumprir as ordens do pessoal de serviço.
Era difícil,fazê-los entender,mas por fim cumpriam as ordens estipuladas.
Eram aos montes dormitando pelo navio,normalmente ficavam pelos locais que lhes era distribuído até ao seu desembarque,mas manter limpos esses locais.
Os do exercito eram menos expansivo,limitavam-se a ser transportados e pouco conviviam com a tripulação.
Os para quedistas,esses pareciam que chegavam ao aquartelamento deles,distribuíam-se,logo pelo navio,procurando o pessoal conhecido,e convivendo,quase esgotavam a cerveja da cantina.
Os fuzileiros esses estavam em casa,procuravam logo os filhos da escola(mesma incorporação)
onde contavam histórias e se iam relembrando dos tempos passados juntos nas unidades navais em terra.
Mas todos eles estavam alertados,para não interferir com o serviço de bordo,e alertados também para não se deslocarem a zonas só acessíveis ao pessoal de serviço,o caso da TSF,ponte de comando,casa do leme,messes,cozinha e sala das máquinas.
Quando desembarcavam,já partiam com saudade do convívio de bordo,gratos pelo tratamento recebido,sem olhar ao ramo militar a que pertenciam,mas sim como militares portugueses.
Por vezes éramos reconhecidos por alguns dos transportados,que não se furtavam a um cumprimento,e reconhecidos por naquela velha fragata e na marinha,não havia rivalidade com qualquer ramo das forças armadas.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

A Companheira de Comissão

N.R.P. Comandante João Belo F 480
companheira de parte da comissão,
certo dia deixou-nos,navegou para a
Austrália,e nós nicles.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

"Solex"

"Solex" A do Farsolas era mais antiga que o
modelo na foto.

A "Solex" do Farsolas

O 1.º grumete sinaleiro Farsolas (alcunha) e do qual não me lembro o nome,ao ver o rol das suas namoradas a aumentar e sem tempo para poder dar a assistência necessária ás mesmas,resolveu poupar no tempo de transporte,comprou uma "solex",assim seria mais rápido nas deslocações e sem estar limitado aos horários dos transportes.
A "solex" era uma motorizada que tinha o motor sobreposto na roda dianteira,e que depois de pedalar tomava velocidade,e através de uma alavanca no motor,o engrenava e deixava de pedalar.
E que arrumava em qualquer canto do navio,nas saídas montava a sua"solex" e desaparecia porto fora.
Mas nem sempre se vive da "solex" ou para a "solex"
limpava-a,tapava-a e cuidava dela pois só ele a montava, um dia rebentou o caos,o Farsola,sai mas volta a bordo e estaciona no cais,resultado quando sai novamente "solex" tinha-se evaporado.
Desesperado procurou e nada,da "solex"nem sombra.
Andou desgostoso,a sua companheira andava a ser montada por outro,e ainda por cima desconhecido,talvez sem cuidar dela,como ele fazia.
Ainda passados tantos anos este episódio, é relembrado nos almoços de convivo,maldizendo sempre o malandro,que usufruiu o prazer de montar a "solex" do Farsola